Os lábios finalmente se tocaram.
O beijo começou suave, quase tímido, como se pedisse permissão.
Eduardo não pressionou os lábios macios dela, apenas saboreava aquele contato como que sentindo a doçura daquele contato. Então o beijo se aprofundou apenas o suficiente para que ambos percebessem que aquilo já não era algo que pudesse ser evitado.
A mão de Helena segurou de leve a camisa dele. Eduardo passou um braço ao redor de sua cintura, aproximando-a.
O coração dos dois parecia bater no mesmo ritmo. Por alguns segundos, não existiram mais nada ao redor deles, apenas aquele beijo.
Eduardo aprofundou ainda mais o beijo e Helena correspondeu com a mesma intensidade, ele começou a explorar o interior de sua boca, Helena deixou, mas quando ela se aproximou um pouco mais, Eduardo abriu os olhos.
E então pareceu despertar.
Ele interrompeu o beijo e se afastou lentamente.
Helena abriu os olhos, ainda tentando recuperar o fôlego.
Eduardo passou uma das mãos pelos cabelos, como se tentasse recuperar o controle sobre si mesmo.
— Desculpe… — Havia confusão em seus olhos, mas também havia algo mais. Um desejo que ele não conseguia esconder. — Eu não deveria… — Eduardo deu um passo para trás. — Isso não deveria ter acontecido. Me desculpe.
Ele se virou.
— Eduardo...
Helena avançou um passo, ele recuou e não parou. Afastou-se rapidamente, deixando Helena sozinha na cozinha.
Ela ouviu os passos dele pelo corredor, depois, as escadas e, finalmente, o som seco da porta do quarto se fechando.
Helena permaneceu imóvel, seu peito ainda subia e descia rapidamente. Lentamente, levou os dedos aos próprios lábios. Ainda sentia o calor daquele beijo, o gosto da boca dele.
Ainda sentia o perfume e o calor do corpo dele junto ao seu e, por mais que Eduardo tivesse fugido daquele momento, uma certeza começava a nascer dentro dela: ele também a desejava.
*****
No quarto, Eduardo respirava com dificuldade.
Ainda sentia o gosto dos lábios de Helena, o calor do corpo dela junto ao seu. O perfume suave de seus cabelos. A como ela havia segurado firme sua camisa. Então, fechou os olhos.
Ele a queria.
Mas, Eduardo sabia que aquilo não era apenas desejo. Era mais, muito mais.
Com Helena, tudo era diferente.
Gostava de ouvi-la falar, de observá-la quando pensava que ninguém estava olhando. Gostava daquele sorriso espontâneo que havia descoberto no parque. Gostava simplesmente de tê-la por perto.
E aquilo o assustava porque desejo podia ser controlado… Sentimentos, não.
Eduardo caminhou até a janela e abriu-a, deixando o ar frio da noite tocar seu rosto. Precisava respirar e recuperar o controle.
Mas quanto mais tentava afastar Helena dos pensamentos, mais ela aparecia. Eduardo fechou os olhos novamente.
Então o passado voltou. Não como uma lembrança distante, mas como uma ferida que nunca havia realmente cicatrizado. Eduardo era um homem ferido profundamente pela mulher que julgava amar e ser amado.
O passado voltou com força e em pequenos fragmentos que o fez reviver o passado, memórias esquecidas ou apagadas voltaram com força.
Leonardo com Viviane em cena que parecia comprometedora aos olhos de Eduardo.
A raiva.
As palavras duras de uma discussão que se transformou em uma tempestade de acusações.
Depois, Leonardo indo embora.
Eduardo entrando no próprio carro.
O motor rugindo.
As mãos apertando o volante.
A velocidade aumentando.
E então...
O impacto.
Eduardo abriu os olhos de repente.
Seu peito subia e descia com força. Levou uma das mãos à testa tentando não lembrar.
— Não...
Mas as lembranças não obedeciam.
O hospital.
O teto branco.
O cheiro forte de medicamentos.
O som ritmado dos aparelhos ao lado da cama.
A preocupação dos pais.

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