O carro parou diante da entrada do hospital.
Eduardo foi o primeiro a descer. Helena o acompanhou logo atrás, e os dois seguiram apressados pelos corredores até o quarto VIP.
Ao abrirem a porta, encontraram Olívia e Gilberto próximos à cama conversando com Carmen. Leonardo estava junto à janela, mas se virou assim que os viu entrar.
Carmen estava recostada nos travesseiros, perfeitamente acordada e, para surpresa de Eduardo, com um sorriso no rosto.
— Finalmente chegaram — disse ela. — Já estava começando a achar que vocês tinham esquecido da velha avó.
Eduardo aproximou-se imediatamente.
— Vó, o que aconteceu?
Carmen fez um gesto despreocupado com a mão.
— Nada demais. Foi apenas um pequeno desmaio.
— Um pequeno desmaio? — Eduardo repetiu, incrédulo.
Olívia soltou um suspiro.
— Ela estava em casa quando perdeu os sentidos por alguns instantes. Quando voltou, insistiu que não era nada e que não havia motivo para chamar ninguém.
— Porque realmente não foi nada — insistiu Carmen. — Estou aqui, conversando e incomodando todo mundo. Como podem ver, estou ótima.
— A senhora desmaiou. — rebateu Gilberto. — Não pode simplesmente tratar isso como algo normal.
Eduardo continuava sério.
— O médico já avaliou a senhora?
— Sim — respondeu Olívia. — Fizeram alguns exames. Ele disse que, por enquanto, não há nada que indique algo grave. Mas querem mantê-la em observação por mais um dia.
Eduardo finalmente pareceu se acalmar.
Helena aproximou-se da cama.
— Senhora Carmen...
Carmen abriu um sorriso ainda maior ao vê-la.
— Minha querida! Você também veio.
— Claro que vim. — Helena segurou delicadamente sua mão. — A senhora nos deu um susto.
— Eu? — Carmen arregalou os olhos, fingindo indignação. — Quem deveria estar preocupada sou eu. Vocês estão todos com essas caras de velório.
Helena não conseguiu evitar um sorriso.
— É porque todos nós gostamos muito da senhora.
Carmen apertou sua mão.
— E eu gosto muito de você também, minha querida. Você está lindíssima — Carmen a olhou com admiração. — Desculpe estragar a festa de vocês.
— A senhora não estragou nada, o importante é estar bem.
— Então me conte como foi. — Pediu Carmen.
Eduardo observou as duas. Ver Helena ali, segurando a mão de sua avó com aquela preocupação genuína, provocou nele uma sensação estranha e reconfortante ao mesmo tempo.
Helena conversava com Carmen e Olívia com um leve sorriso, enquanto Eduardo, Gilberto e Leonardo estavam acomodados nos sofás do quarto VIP.
— Estou ótima. — Disse Carmen depois de um tempo. — Quando poderei ir pra casa?
— Mesmo que se sinta bem, a senhora vai ficar aqui e fazer todos os exames que o médico pedir. — Olívia falou séria.
Carmen fez uma careta.
— Se eu ficar muito tempo nesse hospital, aí sim que vou ficar doente.
Leonardo riu.
— Não adianta discutir, vó. A senhora só sai daqui quando o médico disser que está tudo bem.
— Leonardo tem razão. — acrescentou Eduardo.
— Está bem… está bem.
A tensão que havia tomado conta do quarto finalmente diminuiu e apesar da hora conversaram mais um pouco.
— Obrigada por ter vindo com ele. — Olívia tinha um olhar de verdadeiro agradecimento para Helena.
As duas acabaram se afastando um pouco da cama de Carmen e conversavam sentadas num sofá
Helena sorriu.
— Não tem o que agradecer.
Eduardo olhou para Helena e por um instante, seus olhos se encontraram. Nenhum dos dois disse nada.

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