— Eduardo é mais difícil de entender. — Ela sorriu de leve. — Ele olha para Helena como um homem que ainda não sabe o que fazer com aquilo que sente.
John ergueu uma sobrancelha.
— Você percebeu tudo isso em apenas uma noite?
Elizabeth soltou uma pequena risada.
— Não estou dizendo que tenho certeza. Apenas... foi a impressão que tive.
John permaneceu calado por um instante.
— Acha que há alguma coisa entre eles não dita.
— Exatamente.
Elizabeth levantou-se e caminhou até a janela.
A lua continuava refletida sobre o mar, formando uma trilha prateada sobre as águas escuras.
— Talvez eles tenham feridas que ainda não se cicatrizaram ou ainda não saibam o que fazer com o que sente — disse ela.
John aproximou-se por trás e envolveu a cintura da esposa.
— Você está preocupada com ela.
Elizabeth apoiou a cabeça no peito dele.
— Estou.
— Mesmo conhecendo-a apenas hoje?
— Algumas pessoas não precisam de muito tempo para percebermos quando estão carregando uma dor grande demais..
John beijou suavemente seus cabelos.
— E o que pretende fazer?
Elizabeth virou o rosto para ele.
— Nada.
John pareceu surpreso.
— Não cabe a nós interferir na vida deles. — Ela sorriu. — Mas posso rezar.
John sorriu.
— Você sempre faz isso.
Os dois ficaram em silêncio por alguns instantes. Então John ficou sério novamente.
— Lizzie...
Ela percebeu a mudança em sua expressão.
— O que foi?
— Você realmente acredita que eles podem chegar ao que nós temos?
Elizabeth não respondeu imediatamente. Olhou para o mar através da janela e depois voltou os olhos para o marido.
— Eu não sei. — Ela fez uma pequena pausa. — Mas sei que nós também não começamos assim como estamos hoje.
John baixou os olhos. Elizabeth tocou seu rosto.
— Nós quase nos perdemos, John.
— Eu sei.
— E se tivéssemos desistido um do outro naquela época...
Ela não terminou, não precisava. John segurou sua mão e a beijou.
— Eu não consigo imaginar minha vida sem você.
Elizabeth sorriu.
— É por isso que espero que Eduardo e Helena descubram a tempo o que nós demoramos tanto para entender.
John a abraçou com mais força.
— E se não descobrirem?
Elizabeth encostou o rosto no peito dele.
— Então espero que, pelo menos, não precisem aprender da maneira mais dolorosa.
John permaneceu abraçado à esposa enquanto os dois contemplavam o mar.
Do lado de fora, a noite permanecia tranquila.
Mas, naquela suíte, duas pessoas que haviam aprendido o preço de quase perder o amor de suas vidas, carregavam agora uma pequena esperança por um casal que mal conheciam.
*****
O dia começava a clarear quando o carro de Eduardo parou em frente a mansão.
A noite, que havia começado de maneira memorável, terminou em um hospital. Felizmente, a senhora Carmen estava bem. Olívia permaneceu no hospital fazendo companhia à mãe, enquanto Benjamin, irmão de Olívia, havia sido avisado e pegou o primeiro voo, preocupado com a mãe.
Assim que desceram do carro, o cansaço da longa noite tornou-se evidente.
Helena estava com os pés doloridos e machucados por causa dos saltos muito altos. Por isso, carregava as sandálias em uma das mãos e caminhava com certa dificuldade.
— Está doendo muito?
Helena olhou para ele e encontrou preocupação em seus olhos.
— Um pouco.
Antes que pudesse dizer qualquer coisa, Eduardo a tomou nos braços.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Proibida de Amar Meu Marido