O fim da tarde já se aproximava quando a porta da biblioteca se abriu. Olívia apareceu no vão da porta e ficou alguns segundos observando a cena.
Gilberto, Benjamin e Eduardo continuavam conversando sobre negócios, como se o domingo tivesse sido criado exclusivamente para isso.
Ela cruzou os braços.
— Vocês estão de brincadeira?
Os três ergueram os olhos.
— O quê? — perguntou Gilberto, inocentemente.
— É domingo!
Benjamin sorriu.
— Sabemos disso.
— Sabem? Porque estou começando a achar que vocês esqueceram. — Olívia entrou na biblioteca. — Vocês passaram a tarde inteira falando de investimentos, contratos, expansão e Deus sabe mais o quê.
— Estamos apenas aproveitando o tempo — justificou Gilberto.
— Aproveitando o tempo? — Olívia arqueou uma sobrancelha. — Meu irmão veio passar o domingo com a família e vocês o transformaram em uma reunião do conselho.
Ela então olhou para Eduardo.
— E você, meu filho? Não tem jeito mesmo. Seu pai e seu tio ainda podem ser perdoados. Mas você é o mais jovem e deveria ter juízo suficiente para perceber que existe vida fora dos negócios e uma bela esposa que está sendo negligenciada.
Eduardo olhou sério para a mãe e depois desviou o olhar rapidamente para a janela, para ele, ela não parecia nem um pouco negligenciada. Ela apertou os lábios.
— Está bem, mãe.
Olívia olhou para o copo nas mãos de Eduardo e para a garrafa sobre a mesa de centro, havia menos uísque do que deveria.
Olívia estreitou discretamente os olhos.
Eduardo estava perfeitamente consciente, mas havia algo diferente nele. O semblante continuava sério, porém os músculos do rosto estavam menos tensos e os olhos pareciam ligeiramente mais pesados.
Ela conhecia o filho, Eduardo bebia muito pouco. Olívia lançou um olhar rápido para a janela e um pequeno sorriso surgiu no canto de seus lábios.
Talvez, finalmente, alguma coisa estivesse começando a mudar.
— Muito bem. — Ela bateu palmas uma vez. — Chega de negócios. Vamos todos para a sala.
*****
Pouco depois, a família estava novamente reunida na sala de estar.
Carmen estava acomodada em uma poltrona, satisfeita ao ver todos juntos. Olívia olhou para o filho mais velho.
— Eduardo, você vai jantar conosco. — Não era uma pergunta.
Ele olhou para a mãe.
— Já passamos o dia todo, Helena e eu vamos para casa.
Carmen entrou na conversa.
— Fique, meu neto. Quero aproveitar um pouco mais toda a família reunida.
Eduardo olhou para a avó e percebeu que seria impossível negar.
— Está bem.
Os olhares de Helena e Eduardo se encontraram.
Pouco depois todos se dirigiram para a sala de jantar. Leonardo chegou bem na hora que todos se acomodavam na mesa. Desta vez, Helena sentou entre Eduardo e Alberto. Eduardo lançou um olhar de desagrado, mas nenhum dos dois parecia ter percebido.
— Filho que bom que chegou. O que aconteceu para você sair às pressas? — Perguntou Olívia
Leonardo sentou ao lado de Gilberto e seu semblante estava um pouco preocupado.
— Tentaram invadir o nosso sistema.
Leonardo trazia um semblante mais sério que o habitual.
— Foi um ataque direcionado? — perguntou Eduardo, interessado.
Leonardo assentiu.
— Sem dúvida. Não estavam tentando apenas entrar no sistema. Eles estavam procurando uma porta específica.
— E você conseguiu descobrir qual?
Leonardo pegou o copo de água que estava diante dele.
— Na verdade, eu deixei que eles pensassem que tinham encontrado uma.
Eduardo ergueu os olhos. Todos na mesa se voltaram para Leonardo e ele continuou:
— Era como uma partida de xadrez. Eles avançavam por um lado, eu fechava a passagem. Então criavam outra estratégia e eu mudava o tabuleiro. No final, consegui conduzi-los para um ambiente isolado e expulsá-los antes que chegassem aos dados importantes.

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