A música ainda enchia o ambiente e quando a última nota ecoou, os aplausos e sorrisos surgiram espontâneos e só então Eduardo e Helena pareceram despertar.
Quando os aplausos diminuíram, Elizabeth ainda permaneceu diante do piano por alguns segundos. Então, voltou-se para Helena e sorriu.
— Agora é a sua vez.
Helena arregalou discretamente os olhos.
— Minha?
— Claro. — Elizabeth indicou o banco ao seu lado. — Quero muito ouvi-la.
Helena hesitou por um instante e seu olhar voltou a encontrar Eduardo. Ele continuava com o olhar fixo nela.
Helena respirou fundo e então se aproximou do piano. Sentou-se diante das teclas e pousou os dedos sobre elas com elegância.
Por alguns segundos, permaneceu imóvel até que começou a tocar. As primeiras notas fizeram Eduardo prender a respiração.
Ele conhecia aquela melodia.
Era a mesma composição que ouvira naquela noite em que encontrara Helena sozinha diante do piano, entregue à música, sem saber que alguém a observava.
A lembrança voltou inteira.
Helena não sabia que ele havia guardado aquela música na memória. Não sabia que aquela melodia permaneceria dentro dele muito depois daquela noite, ainda carregava a mesma melancolia que o havia prendido naquela ocasião.
Naquela época, ainda acreditava que conseguia controlar tudo. Agora já não tinha tanta certeza.
Helena terminou o trecho e afastou lentamente as mãos das teclas. Os aplausos surgiram novamente, mas Eduardo demorou alguns segundos para acompanhá-los.
Elizabeth foi a primeira a falar.
— Essa música, eu nunca a ouvi antes.
Helena sorriu, um pouco constrangida.
— Porque é minha. Eu a compus há algum tempo.
Elizabeth arregalou os olhos visivelmente surpresa.
— É linda. Tem uma sensibilidade muito especial. Você consegue colocar sentimento nas notas.
Helena agradeceu com um pequeno sorriso.
— Obrigada.
Elizabeth, para surpresa de Helena, sentou-se novamente ao seu lado.
— Agora vamos tocar juntas.
Helena riu baixinho.
— Será uma honra.
As duas se inclinaram uma em direção à outra e começaram a conversar em voz baixa, como se compartilhassem um pequeno segredo.
— Que música? — perguntou Helena.
Elizabeth disse o nome e Helena levantou as sobrancelhas, surpresa.
— Essa?
Elizabeth sorriu e as duas se ajeitaram diante do piano.
Então vieram as primeiras notas, adaptadas para o instrumento. Eduardo reconheceu imediatamente.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Proibida de Amar Meu Marido