Ao chegarem em casa naquela noite, o clima entre Eduardo e Helena era bem diferente. A tensão entre eles agora não era de silêncio pesado, mas algo mais calmo, íntimo demais, ao ponto de nenhum dos dois parecer estar disposto a subir para seus quartos separados.
— Quer beber alguma coisa? — perguntou Eduardo, em tom suave.
— Sim, por favor. — Helena ficou surpresa e sorriu levemente.
— O que prefere?
— Acho que vinho seria muito bom.
— Excelente escolha.
Eduardo foi até a adega, que ficava nos andares inferiores. Helena o acompanhou. A noite estava fresca e, enquanto Eduardo escolhia o vinho, Helena seguiu para o jardim. Apesar de morar ali havia quase três anos, poucas vezes ia até aquele lugar. Frequentava a academia, mas raramente se permitia simplesmente caminhar pelo jardim.
Parou em um grande deck onde havia sofás confortáveis de vime, mas permaneceu de pé, contemplando a cidade iluminada ao longe.
— É uma bela vista.
A voz de Eduardo a fez se virar e ela quase perdeu o fôlego.
Ele vinha em sua direção trazendo duas taças em uma das mãos e a garrafa de vinho na outra. Um leve sorriso descansava em seus lábios. Seu semblante estava diferente, mais relaxado do que Helena estava acostumada a vê-lo, e os dois primeiros botões da camisa estavam desabotoados.
Ela tentou desviar os olhos, e agradeceu por estar sob o luar e ele não poder o brilho de seus olhos e as faces coradas.
Eduardo serviu as taças e estendeu uma para ela.
Helena sorriu e aceitou.
Os dois se sentaram nos sofás e, por alguns instantes, apenas contemplaram o céu. A lua estava especialmente bela naquela noite, uma super lua que parecia ainda mais próxima e luminosa sobre a cidade.
Conversaram enquanto bebiam. Ainda assim, havia uma tranquilidade entre eles que há muito não existia.
Ficaram ali por um bom tempo, apenas apreciando a companhia um do outro.
— Sabe no que pensei agora? — perguntou Helena.
Eduardo voltou os olhos para ela.
— Na casa de praia... quando achamos que poderíamos ter uma boa convivência.
Um pequeno sorriso surgiu no rosto dele.
— Ainda podemos.
Helena sustentou seu olhar, sentindo o coração aquecer.

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