As mãos de Helena seguravam sua camisa, puxando-o para si. Eduardo abriu os olhos. O desejo o consumia, acompanhado da certeza de que, se continuasse, aquilo deixaria de ser apenas um beijo.
Ele se afastou devagar e Helena o olhou, confusa.
— Eduardo...
Ele permaneceu em silêncio por alguns segundos, tentando recuperar o controle.
— É melhor parar.
— Mas você...
Eduardo passou a mão pelo rosto e respirou fundo.
— Se eu continuar, Helena, não vou conseguir fingir depois que nada aconteceu entre nós.
Ela sentiu o coração disparar.
— Mas aconteceu, Eduardo... e você sabe que esse beijo foi muito mais do que aparenta.
Aquelas palavras o atingiram com a verdade e Eduardo se levantou. Precisava se afastar.
— Você acha que está sendo fácil para mim parar assim? Não te beijar de novo... e de novo...
Helena também se levantou.
— E se eu disser que não me importo com contrato ou cláusula? Que eu...
— Não diga mais nada, Helena. — Ele a interrompeu, afastando-se ainda mais. — Vou tomar um banho.
Ele deixou a sala antes que ela pudesse falar algo mais.
Os minutos passaram e quase uma hora depois, Eduardo apareceu na sala de jantar.
Helena estava sentada à mesa, com o prato vazio à sua frente e uma taça de vinho entre os dedos.
Ao erguer os olhos, encontrou o olhar de Eduardo, não havia frieza nele. Havia aquele brilho difícil de decifrar, carregado de coisas que ele parecia determinado a não dizer.
Mas Eduardo percebeu o que havia nos olhos dela.
Mágoa.
— Vou servir o jantar — disse ela, levantando-se.
Foi para a cozinha antes que ele pudesse dizer qualquer coisa.
Naquela noite, comeram em silêncio.
Nenhum dos dois procurou o olhar do outro, mas o beijo permanecia presente entre eles na memória, na respiração e naquilo que nenhum dos dois conseguia mais fingir que não existia.
Quando terminaram, Eduardo permaneceu alguns instantes à mesa.
— Helena.
— Sim?

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