— O que é isso? — perguntou Bianca ao ver o cartão de visita que Helena acabara de entregar.
— É o contato do dono de uma galeria de arte — respondeu Helena, sem se aprofundar.
Bianca arregalou os olhos ao reconhecer o nome.
— Você está falando de Augusto Valença? Eu já ouvi falar dele. Ele é um dos galeristas mais criteriosos do país. Dizem que é extremamente exigente com as obras que escolhe para expor. Como você conseguiu o contato dele?
As mãos de Bianca começaram a tremer. Jamais imaginara que teria a oportunidade de conhecer alguém como Augusto Valença, proprietário da conceituada Galeria Bellart, uma das mais respeitadas galerias de arte do país.
Helena percebeu a ansiedade da prima e sorriu.
— Ainda não é nada concreto. Um cliente viu seu quadro, gostou muito e enxergou potencial no seu trabalho.
— Que cliente?
Helena conteve o sorriso. Não poderia dizer que era Bruno. Ele havia pedido discrição, e ela já desconfiava de que Bianca carregava sentimentos fortes por ele. Ao mesmo tempo, não tinha certeza de que Bruno sentisse o mesmo.
— Primeiro, ligue para o senhor Augusto e marque um horário.
Bianca estava tão nervosa que não insistiu.
— Ligar? Você acha que ele vai me atender?
— Só existe uma maneira de descobrir.
Bianca pegou o celular. Seus dedos tremiam enquanto digitava o número. Hesitou por alguns segundos e olhou para Helena.
— E se ele não atender? Ou se disser que não tem interesse?
Helena se aproximou e tocou e lhe deu um sorriso de encorajamento.
— Bianca, você não tem nada a perder.
Ela respirou fundo, finalmente tomou coragem e pressionou para chamar. Não demorou muito, e uma voz masculina, grave e segura, atendeu do outro lado.
— Galeria Bellart, Augusto Valença falando.
Bianca engoliu em seco.
— Senhor Valença... aqui quem fala é Bianca Soares…
Enquanto ouvia a resposta do outro lado da linha, manteve os olhos fixos em Helena, como se buscasse nela coragem para continuar.
*****
Helena ainda sorria, satisfeita, depois da saída de Bianca. Ela havia conseguido marcar um horário com Augusto Valença e, para surpresa de ambas, o galerista queria conhecer pessoalmente o ateliê da jovem.
Segundo Augusto, o ambiente de trabalho de um artista revelava muito sobre ele, sobre seu processo criativo e até sobre a maneira como enxergava suas próprias obras. Por isso, iria até o ateliê de Bianca ainda naquele dia.
Helena sorriu novamente, feliz por ela. Foi então que seu celular vibrou sobre a mesa. Ela franziu a testa ao olhar para a tela.
Era um número desconhecido, pensando que poderia ser um cliente, abriu a conversa e seus olhos arregalaram.
Havia uma fotografia.
Era ela com Danilo no shopping, no dia em que havia combinado de encontrar Laura. A imagem havia capturado exatamente o momento em que ele pousara a mão sobre a dela. O gesto tinha sido breve, e Helena retirou a mão quase que imediatamente, mas alguém havia conseguido registrar aquele instante.
Ela sentiu um frio percorrer o corpo, tinha certeza de que aquilo era uma armação.
Abaixo da fotografia, havia uma mensagem:
“Encontre-me na cafeteria perto da empresa em quinze minutos ou essa e muitas outras fotos irão chegar até seu marido e às mídias.”
Helena apertou o celular com força.
“Mas que canalha, quem poderia ser.”

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