Helena olhava para Danilo sem acreditar no que estava diante dela.
Sabia que ele era um empresário desonesto, que sua empresa estava à beira da falência e que, por trás da imagem de homem bem-sucedido, havia dívidas que ele tentava esconder a qualquer custo. Também sabia que suas tentativas de se casar com alguma mulher rica para salvar a própria situação haviam fracassado.
Mas jamais imaginou que ele seria capaz de chegar àquele ponto.
Sobre a mesa, a pasta aberta parecia pesar mais do que deveria. Helena baixou os olhos para ela, havia fotografias. Muitas.
Todas cuidadosamente escolhidas. Cada uma registrada de um ângulo capaz de transformar um gesto inocente em algo que parecia íntimo.
Ela e Bruno almoçando. Bruno abrindo a porta do carro para ela. Os dois entrando no veículo. Fotografias feitas durante viagens a negócios. Imagens dela com Danilo e até algumas com Henrique.
Nenhuma mostrava algo que realmente tivesse acontecido, mas todas contavam uma história que poderia convencer qualquer pessoa que não conhecesse a verdade por trás daquelas fotos.
Helena sentiu o estômago revirar.
— Como... como você conseguiu isso? — perguntou, erguendo os olhos. — Estava me seguindo?
Danilo recostou-se na cadeira, completamente tranquilo.
— Digamos que alguém me entregou um bilhete premiado.
— Essas situações não são o que parecem, e você sabe disso.
— Eu sei.
Ele pegou uma das fotografias e a ergueu entre os dedos.
— E justamente por isso elas são tão interessantes.
Helena franziu a testa e Danilo sorriu.
— Não foram manipuladas. Não precisei falsificar nada. Cada fotografia registra um momento que realmente aconteceu. Só foram tiradas de ângulos certos... e se expostas… é só deixar que as pessoas tirem suas próprias conclusões.
Ele colocou a fotografia novamente sobre a mesa.
— Se alguém fizer uma perícia, não encontrará montagem alguma.
Um silêncio pesado caiu entre os dois e Helena sentiu o sangue gelar.
Danilo inclinou-se lentamente para a frente.
— Agora imagine isso chegando à imprensa.
O sorriso dele se alargou.
— A esposa de Eduardo Monteiro envolvida em casos extraconjugais com vários homens. E um deles, justamente, o melhor amigo do marido.
— Você é um canalha.
— Talvez. Mas não sou burro.
Helena apertou os dedos para impedir que tremessem.
Danilo continuou, saboreando cada palavra.
— Soube que seu marido acabou de fechar uma parceria gigantesca com um dos grupos empresariais mais poderosos do mundo. John Walker não parece ser o tipo de homem que gosta de escândalos.
Ele fez uma pequena pausa, observando o efeito de suas palavras.
— Um homem conservador, conhecido por valorizar a família, a reputação e os bons costumes.
Helena permaneceu em silêncio.
— E soube também que você se aproximou bastante da esposa dele. Elizabeth Walker. Uma mulher distinta, respeitada no mundo inteiro, índole admirável, mãe de família e bastante religiosa.
O coração de Helena disparou, mas Danilo continuou implacável, como se pronunciasse uma sentença.
— Imagino que ela não ficaria muito satisfeita ao descobrir que a mulher com quem está criando uma amizade tão próxima aparece em dezenas de fotos comprometedoras com vários homens.
Helena ficou pálida.
— Você não faria isso.
— Não? — Danilo arqueou uma sobrancelha. — Uma notícia dessas não atingiria apenas você, Helena. — Fez uma pausa estratégica. — Atingiria Eduardo. Atingiria o Grupo Monteiro. A parceria com os Walkers. Sua própria empresa. Seus amigos. Sua família.
Ele fez uma pausa deliberada.
— E, principalmente, atingiria a confiança que seu marido tem em você.
As palavras acertaram Helena como um golpe.
Eduardo.
Por um instante, tudo o que conseguiu imaginar foi o rosto dele ao ver aquelas fotografias. Lembrou do beijo e da forma como Eduardo havia deixado escapar algo que parecia ser algum tipo de sentimento ou desejo.
E então imaginou aquele mesmo homem diante das fotografias, acreditando que ela o traíra.
A garganta fechou, a respiração ficou difícil.

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