Helena ainda estava diante do notebook quando o celular tocou. Ao olhar para a tela, reconheceu imediatamente o nome de Bianca.
Por um instante, pensou em não atender. Não queria que a prima percebesse o estado em que se encontrava. Mas a ligação insistiu e, depois de respirar fundo, Helena atendeu.
— Oi, Bianca.
Do outro lado, a voz da prima estava carregada de uma felicidade impossível de esconder.
— Helena! Você não vai acreditar no que aconteceu!
Helena se ajeitou na cadeira.
— O que aconteceu?
— O senhor Augusto Valença esteve no meu ateliê hoje.
Helena sorriu de imediato.
— O galerista?
— Ele mesmo! E, Helena... ele gostou das minhas obras!
— Bianca, isso é maravilhoso!
Por alguns segundos, Helena conseguiu esquecer a própria angústia. Conhecia o quanto a prima amava a pintura, o quanto havia trabalhado em silêncio e quantas vezes duvidara do próprio talento.
— Ele me convidou para expor na galeria dele! — Bianca contou, quase sem conseguir conter a emoção. — Ele quer organizar minha primeira exposição profissional!
Helena fechou os olhos por um instante, queria sentir apenas alegria. E sentia, de verdade, mas a preocupação ainda pesava dentro dela. Mesmo assim, não deixaria que aquilo roubasse a felicidade da prima.
— Bianca, eu estou tão feliz por você! Você merece isso mais do que ninguém.
— Eu sabia que você ficaria feliz!
A voz de Bianca suavizou.
— Nós vamos comemorar hoje. Papai, mamãe e Bernardo decidiram sair para jantar.
Helena sorriu.
— Aproveitem muito. É uma conquista enorme.
— Gostaria muito que você fosse com a gente.
Helena ficou em silêncio por um instante.
— Eu?
— Claro! Eu consegui essa oportunidade por sua causa, lembra? Se você não tivesse me colocado em contato com o senhor Valença, talvez isso nunca tivesse acontecido.
— Bianca...
— Sem você, eu provavelmente ainda estaria escondendo meus quadros.
Helena sentiu os olhos arderem.
— Não fiz nada demais. Você tem talento.
— Mesmo assim, quero você conosco.
Helena olhou para a pasta sobre a mesa. As fotografias ainda estavam ali e o prazo de dez dias parecia pairar sobre sua cabeça.
— Eu acho melhor não ir hoje...
— Por quê?
Helena procurou rapidamente uma desculpa.
— Estou com algumas coisas para resolver.
— Helena...
A voz de Bianca agora carregava carinho, mas também insistência.
— Você sempre aparece quando alguém precisa de você. Hoje eu quero que esteja comigo.
Helena não respondeu.
Sabia que poderia inventar alguma desculpa. Dizer que estava cansada, que tinha trabalho ou simplesmente que não estava bem.
Mas aqueles eram seus tios. Bernardo era seu primo, praticamente um irmão e Bianca sua irmã caçula.
Eles haviam estado ao seu lado nos momentos mais difíceis de sua vida. Quando tudo parecia perdido, nunca lhe perguntaram o que poderiam ganhar em troca. Apenas estavam lá.
E agora, quando finalmente havia uma razão para sorrir, ela não poderia simplesmente se afastar.
— Está bem — respondeu por fim. — Eu vou.
Do outro lado, Bianca soltou uma pequena comemoração.
— Sabia!
Helena riu baixinho.
— Mas só porque é uma ocasião especial.
— E porque você me ama.
— Também.
As duas riram.

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