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Proibida de Amar Meu Marido romance Capítulo 287

Longe dali, sem imaginar o que estava acontecendo com Helena, Bianca recebia em seu ateliê Augusto Valença.

Ela permanecia em um canto do pequeno espaço, apreensiva, enquanto o galerista, elegante em um terno grafite de corte impecável, camisa clara e sapatos de couro, analisava suas obras com a atenção de quem estava acostumado a encontrar beleza, mas também a reconhecer talento.

Augusto não fazia comentários precipitados. Permanecia diante de cada tela por longos segundos, observando em silêncio. Às vezes se afastava alguns passos para enxergar a composição como um todo; em outras, aproximava-se até quase tocar a tela com os olhos, examinando pinceladas, contrastes e detalhes.

Bianca acompanhava cada movimento, sentindo o coração bater mais rápido.

Ele começou pelas mesmas telas que Bruno havia observado com mais calma naquela noite. Depois pediu para conhecer outras obras.

— Tem mais?

— Tenho algumas — respondeu Bianca.

Ela abriu um armário e retirou outras telas e pegou outras empilhadas num canto.

Augusto continuou examinando uma por uma.

— Você trabalha principalmente com óleo?

— Sim. Algumas obras são acrílicas, mas prefiro o óleo.

Ele assentiu.

— Percebi.

Parou diante de uma das telas e inclinou levemente a cabeça.

— Você tem um domínio de luz muito interessante. Não utiliza o contraste apenas para destacar o objeto principal. Usa a luz para conduzir o olhar de quem observa.

Bianca piscou, surpresa.

— Eu nunca pensei dessa maneira.

Um pequeno sorriso apareceu no rosto dele.

— É justamente por isso que funciona. Você não está tentando mostrar ao observador onde ele deve olhar. Ele simplesmente olha.

Bianca abaixou os olhos, sem saber o que responder.

Augusto passou para outra tela.

— E há algo mais importante aqui.

Ela ergueu o olhar para ele.

— Identidade.

Ele voltou a observar o quadro.

— Suas obras não parecem cópias de uma escola específica. Há referências, naturalmente, mas você não está tentando ser outra pessoa. Isso é raro.

Bianca sentiu um calor subir pelo rosto.

Ele pediu para ver mais algumas telas. Com calma e paciência, continuou seu exame até chegar à última, que permanecia coberta por um pano.

Augusto estendeu a mão para retirar o tecido.

Bianca entrou em pânico.

— Desculpe, senhor Valença, mas esse é muito pessoal e não faz parte do meu acervo.

A mão dele parou. Augusto olhou para Bianca e, pela primeira vez, deixou escapar um sorriso divertido.

— Esses costumam conter uma grata surpresa.

Bianca ficou ainda mais constrangida, mas ele não insistiu.

— Mas quem sabe um dia ainda poderei vê-la.

Augusto então voltou a atenção para o restante do ateliê.

Apesar de pequeno, o ambiente era muito bem organizado. Cavaletes ocupavam alguns espaços, havia porta-pincéis cuidadosamente dispostos, armários com materiais e várias telas encostadas nas paredes.

Ele observou tudo por alguns instantes antes de voltar-se para Bianca.

— Bem, senhorita Soares, vou ser sincero, como preciso ser.

Bianca ficou apreensiva.

Augusto olhou novamente para as obras expostas nos cavaletes, dessa vez com uma expressão menos crítica e mais admirada.

— Suas obras são impressionantes.

Bianca permaneceu em silêncio.

— Você tem uma técnica muito acima do que encontrei na maioria dos artistas que comecei a acompanhar nos últimos anos. Mas não é apenas técnica. Existe sensibilidade. Existe personalidade. E existe algo que não se aprende em nenhuma escola.

Ele fez uma pequena pausa.

— Você tem algo a dizer através da pintura. — Concluiu ele.

Os olhos de Bianca começaram a se emocionar e Augusto sorriu.

— E é por isso que eu gostaria de lançá-la em minha galeria.

Bianca levou alguns segundos para compreender.

— O senhor... está falando sério?

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