Quando chegaram em casa, a alegria da noite ainda parecia acompanhá-los. Glória foi a primeira a entrar, ainda falando sobre a exposição.
— Eu já estou pensando em qual vestido vou usar no dia da inauguração.
Bernardo soltou uma risada enquanto fechava a porta.
— Mãe, a exposição é da Bianca, não sua.
— E eu não posso estar bonita para prestigiar minha filha?
— Pode. Só não tente roubar os holofotes dela.
Renato entrou logo atrás, sorrindo.
— Deixem sua mãe escolher o vestido que quiser. Hoje temos motivos de sobra para comemorar.
Bianca entrou por último e também sorriu ao ouvir a família discutir e até soltou uma pequena risada.
— Vocês estão tão empolgados e se o público não gostar?
Glória se virou para ela e segurou suas mãos.
— Minha filha, é claro que irão gostar. Hoje foi apenas o começo. Logo você será uma artista reconhecida. Você tem ideia do que isso significa?
Bianca assentiu.
— Tenho. Mas parece tão irreal.
Durante anos, aquele sonho parecia distante demais. Muitas vezes ela mesma duvidara de que suas pinturas pudessem chegar a algum lugar. Agora, uma galeria reconhecida havia escolhido suas obras.
— Acho que ainda estou tentando assimilar tudo — respondeu.
Renato aproximou-se e beijou sua testa.
— Assimile com calma. Você trabalhou muito para chegar até aqui.
Glória a abraçou.
— E nós estamos muito orgulhosos de você.
Bianca fechou os olhos por um instante dentro do abraço da mãe.
— Obrigada.
Bernardo observava a irmã em silêncio. Ele conhecia Bianca e aquele sorriso, sabia que havia alguma coisa por trás dele.
— Agora vamos dormir, a noite foi incrível. — Disse Renato.
Ele e Glória se despediram dos filhos com um beijo de boa noite em cada um. Bernardo esperou que os pais se recolhessem para então virar para a irmã.
— Você está bem?
Bianca ergueu os olhos para ele.
— Estou.
Ela sorriu, dessa vez tentando convencê-lo. Bernardo sustentou o olhar por alguns segundos, mas não insistiu.

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