Eduardo e Helena já se preparavam para partir quando ouviram passos apressados vindo da casa.
Luke e Luize apareceram primeiro, correndo na direção deles.
— Vocês já vão? — Luize perguntou, abraçando Helena pela cintura.
— Já está ficando tarde. — Helena respondeu, acariciando seus cabelos.
Luke se aproximou de Eduardo e o abraçou sem cerimônia. Eduardo ficou surpreso por um instante, mas logo pousou a mão sobre a cabeça do menino.
— Gostei muito de brincar com você — Luke disse.
— Eu também gostei — Eduardo respondeu, com um raro sorriso terno.
Luize então se voltou para ele e estendeu os braços, exigindo também seu abraço. Eduardo se abaixou para recebê-la, enquanto Helena observava a cena emocionada.
Foi quando Emily apareceu.
A menina correu até Helena e levantou os bracinhos.
— Colo.
Helena sorriu e a pegou nos braços.
— Claro, minha princesa.
Emily acomodou a cabeça no ombro dela, completamente à vontade. Helena a abraçou com carinho, e Eduardo permaneceu ao lado, observando silenciosamente aquela cena. Havia algo estranhamente familiar na imagem de Helena com uma criança nos braços, uma sensação que ele não soube explicar e que preferiu guardar para si.
Elizabeth se aproximou, sorrindo.
— Antes de vocês irem embora, preciso lembrar de uma coisa.
Helena ergueu os olhos.
— O quê?
— Eu não esqueci da promessa que fizemos naquele almoço. Ainda vou preparar aquele jantar para vocês dois. Quero cozinhar pessoalmente.
Helena sorriu.
— Será uma grande honra.
Depois dos últimos abraços, especialmente dos gêmeos, que só aceitaram se afastar depois de mais uma promessa de que se veriam novamente, Eduardo e Helena seguiram para o helicóptero.
O voo de volta foi tranquilo. Quando pousaram na mansão, já era noite, no caminho até a entrada, Helena comentou baixinho:
— As crianças são encantadoras.
Eduardo olhou para ela.
— Elas gostaram de você.
Helena sorriu.
— E de você também.
Ele desviou o olhar, mas um pequeno sorriso apareceu em seus lábios e durante todo aquele dia, Helena não pensou em nenhum momento em Danilo e suas ameaças.
*****
Mas aquele domingo na residência de praia dos Walkers pareceu ser apenas um intervalo no tempo, um breve lapso entre duas realidades.
Na segunda-feira, a rotina voltou com a mesma velocidade de sempre. Reuniões, relatórios, decisões, telefonemas e uma sucessão interminável de compromissos ocuparam novamente os dias de Eduardo.
A parceria com John Walker avançava com resultados acima do esperado, colocando o Grupo Monteiro diante de uma expansão que poderia levá-lo a um patamar que poucos empresários brasileiros haviam alcançado.
Era exatamente o tipo de cenário em que Eduardo costumava prosperar.
Mas, naquela vez, alguma coisa estava diferente.
A pressão parecia ter ultrapassado os limites do trabalho. Eduardo estava cada vez mais tenso, impaciente e exigente. Uma pequena falha era suficiente para fazê-lo interromper uma reunião, exigir explicações ou devolver um relatório inteiro para ser refeito.
Os setores passaram a trabalhar sob uma pressão constante. Gerentes que antes entravam em sua sala com segurança agora revisavam documentos duas ou três vezes antes de apresentá-los. Até Murilo, acostumado ao temperamento difícil do chefe e às cobranças que vinham acompanhadas de sua posição, começava a sentir o peso daquela mudança.
Naquela manhã, depois de uma reunião particularmente tensa, Murilo e Márcia saíram do escritório de Eduardo em silêncio. A porta se fechou atrás deles.
Márcia soltou um suspiro de cansaço,
— O que está acontecendo com o chefe? — perguntou Márcia, ajeitando algumas pastas contra o peito. — Ele está cada vez mais difícil de lidar.
Murilo passou a mão pelo rosto, visivelmente cansado.

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