Helena permaneceu alguns segundos em silêncio, ainda sentindo o braço de Eduardo ao redor de seus ombros, com as palavras dele ecoando em sua mente.
Ela sabia o que Eduardo estava dizendo. Sabia também que, em outras circunstâncias, teria aceitado aquela justificativa sem pensar duas vezes.
Mas havia algo diferente naquele abraço.
Talvez fosse a maneira como ele a segurava. Talvez o beijo delicado em seus cabelos. Ou talvez fosse apenas o próprio coração, que insistia em enxergar sentimentos onde Eduardo ainda se recusava a admiti-los.
Helena tentou se concentrar na conversa ao redor.
— Está tudo bem? — perguntou Eduardo discretamente.
Ela ergueu os olhos para ele, mas desviou rápido.
— Sim.
O rosto dela ainda estava quente.
— Está muito calor.
Um pequeno sorriso surgiu no canto dos lábios de Eduardo.
— Claro.
Ela percebeu que ele sabia que era uma desculpa, mas, para sua surpresa, não insistiu.
Do outro lado, Elizabeth observava os dois.
Nada havia escapado à sua atenção: o breve diálogo, a maneira como Helena evitava olhar diretamente para Eduardo e, principalmente, a expressão dele. Parecia tranquilo, mas havia algo diferente em seu olhar, algo que não combinava com a indiferença que costumava demonstrar em outras ocasiões.
Elizabeth conhecia aquele tipo de silêncio velado e a maneira como alguém podia esconder um sentimento atrás de palavras perfeitamente racionais.
— Lizzie, tudo bem? — chamou John.
Ela voltou-se para o marido e sorriu.
— Sim.
John estendeu a mão para ela, e Elizabeth entrelaçou os dedos aos dele.
Eduardo acompanhou o gesto. Havia algo naquela relação que sempre lhe chamava a atenção. John e Elizabeth não precisavam pensar antes de se tocar. Não precisavam criar uma ocasião para um carinho. Os movimentos simplesmente aconteciam, naturais, espontâneos, como se um soubesse exatamente o que o outro precisava ou queria.
Eduardo baixou os olhos para o braço ainda envolvendo Helena. Sentia a pele macia dela sob sua mão e um calor reconfortante que não queria admitir que apreciava.
Visto de fora, pareciam apenas três casais conversando tranquilamente sobre assuntos cotidianos.
Mas, para Eduardo, aquele abraço começava a parecer perigoso justamente porque já não sabia dizer onde terminava a representação e começava aquilo que realmente sentia.
Em determinado momento, Helena se afastou do grupo com a desculpa de buscar água e Elizabeth a acompanhou.
— Helena, posso falar com você um instante?
— Claro.
As duas caminharam alguns passos, afastando-se dos homens.
Elizabeth a observou por um momento antes de perguntar:
— Você está feliz?
A pergunta pegou Helena desprevenida.
— Como?
— Hoje. Aqui. Com ele.
Helena olhou rapidamente para Eduardo.
Ele continuava conversando com John e Bruce, mas parecia distraído. Por um instante, seus olhos encontraram os dela. Helena desviou o olhar.
— Acho que estou aprendendo a ser feliz com as pequenas coisas.
Elizabeth sorriu suavemente.
— Às vezes, são as pequenas coisas que revelam as maiores verdades.
Helena permaneceu em silêncio.
— Não sei se entendi.
Elizabeth olhou novamente para Eduardo.

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