A música que havia embalado a dança de Rogério e Laura chegou ao fim sob uma salva de aplausos.
Os dois permaneceram por alguns segundos no centro da pista, sorrindo um para o outro.
Então, antes que alguém pudesse imaginar que aquela seria a última surpresa da noite, os primeiros acordes de “Dancing Queen”, do ABBA, começaram a ecoar pelo salão.
Gritos de alegria se espalharam entre os convidados.
— Essa eu conheço! — alguém gritou.
Laura caiu na risada, e Rogério sorriu divertido antes de estender a mão para ela.
Os dois começaram a dançar.
Os passos eram alegres, descontraídos e conhecidos por praticamente todos ali. Laura girou, rindo, enquanto Rogério a acompanhava, e logo os dois iniciaram a pequena sequência de passos que haviam ensaiado.
Foi Laura quem primeiro decidiu acabar com a distância entre a pista e os convidados. Ela estendeu a mão para Gabriella.
— Vem!
A irmã arregalou os olhos, mas não conseguiu resistir ao sorriso de Laura.
— Laura!
— Anda!
Laura se aproximou, segurou sua mão e a puxou para a pista. Rogério imediatamente fez o mesmo com Bernardo.
— Você também.
— Eu sabia que isso ia acontecer — Bernardo reclamou, embora já estivesse rindo.
Leonardo e Eliane foram os próximos. Depois, Bianca e Alberto.
Em poucos instantes, os amigos mais próximos já haviam formado um pequeno grupo ao redor de Rogério e Laura, tentando acompanhar os passos da coreografia, enquanto risos e gargalhadas se misturavam à música.
Laura então se aproximou de Helena e Elizabeth, que sorriam enquanto observavam a animação.
— Vamos! — Elizabeth riu e segurou a mão do marido.
— O que eu não faço por essa mulher...
John balançou a cabeça, divertido, mas acompanhou a esposa.
— Está bem, Lizzie.
E logo os dois também estavam na pista, tentando acompanhar os passos.
A pista rapidamente se encheu.
Alguns dançavam perfeitamente no ritmo; outros erravam os passos e transformavam os próprios erros em motivo de risada. Rogério e Laura continuavam no centro, contagiando todos ao redor com a alegria daquele momento.
Um pouco afastados da pista, Eduardo e Bruno permaneciam lado a lado. Nenhum dos dois havia aceitado o convite.
— Não vai dançar? — perguntou Eduardo, simplesmente.
Bruno soltou uma pequena risada.
— Acho que não tenho essa desenvoltura.
Os dois permaneceram ali, lado a lado, observando a festa.
Eduardo mantinha os olhos na pista, mais precisamente em Helena.
Ela havia sido puxada para a dança e, naquele instante, girava ao lado de Elizabeth, rindo de alguma coisa que John acabara de dizer. Os cabelos acompanhavam suavemente seus movimentos, e o sorriso iluminava seu rosto.
Eduardo não percebeu quando seu olhar se demorou nela por tempo demais.
Ao seu lado, Bruno também parecia distraído. Seu olhar alternava entre Helena e Bianca, que dançava próxima de Alberto.
Por algum motivo, aquela proximidade chamou sua atenção mais do que deveria.
Bianca ria enquanto Alberto tentava acompanhar os passos da coreografia. Ele deveria sentir apenas satisfação ao vê-la tão feliz, especialmente naquela noite.
Mas algo mudou dentro dele, um incômodo discreto surgiu ao vê-la tão próxima de outro homem.
Bruno franziu levemente a testa e desviou os olhos por um instante, como se pudesse simplesmente afastar aquela sensação. Quando voltou a olhar para a pista, o sorriso que antes acompanhava seu semblante já havia desaparecido sem que ele percebesse.
*****
Quando a música chegou ao fim, uma calorosa salva de palmas tomou conta do salão. Alguns convidados ainda riam, enquanto outros aproveitavam os últimos segundos para recuperar o fôlego.
A banda continuou animando a pista com outras músicas dançantes. A maioria permaneceu ali, aproveitando o clima descontraído, enquanto alguns se afastaram por alguns minutos para pegar uma bebida e descansar.
John retornou para onde Eduardo estava.
Se alguém dissesse, algum dia, que o grande, altivo e sério empresário John Walker havia dançado ao som de Dancing Queen, ele provavelmente jamais acreditaria.
— Você deveria aproveitar, Eduardo. É libertador.

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