Leonardo alheio os sentimentos de Bianca, deu de ombros.
— Juntos ou não, isso eu não sei. Mas que esse é um desejo antigo das duas famílias, é. Eles sempre acharam que os dois nasceram um para o outro. Bruno e Patrícia já chegaram até namorar quando ainda estavam na faculdade.
Fez uma pausa e olhou para Eduardo.
— Não é mesmo, Eduardo? Você é mais próximo do Bruno. Ele nunca comentou nada com você?
Eduardo demorou um instante antes de responder.
— Não. Ele nunca me disse nada. — Seu olhar acompanhou Bruno e Patrícia por alguns segundos. — Mas espero sinceramente que sim. — A resposta saiu seca, quase cortante.
Alguns integrantes do grupo trocaram olhares, estranhando o tom. Mas somente Bianca sentiu aquelas palavras como um golpe.
Ela olhou novamente para Bruno. Ele caminhava ao lado de Patrícia, de braços dados com ela, completamente à vontade.
E, naquele instante, a realidade que vinha tentando afastar desde o início da noite pareceu cair sobre seus ombros outra vez.
Talvez nunca tenha existido espaço para ela no coração dele. Talvez todos aqueles pequenos momentos que guardara com tanto carinho não significassem para Bruno nem uma fração do que significavam para ela.
Bianca respirou fundo, tentando conter o aperto que subia pela garganta.
Apenas Bernardo e Helena perceberam o que estava acontecendo. Os dois conheciam os sentimentos de Bianca e trocaram um olhar silencioso, carregado de preocupação.
— Com licença — murmurou Bianca.
Ninguém teve tempo de perguntar nada.
Ela se afastou discretamente, atravessando o salão até encontrar a porta que dava para a varanda. Assim que saiu, sentiu o frio da noite tocar seu rosto.
O vento estava mais forte ali, fazendo alguns fios de seu cabelo se soltarem. Bianca cruzou os braços sobre o corpo, mas não se importou com o frio.
Precisava daquele silêncio. Precisava de alguns minutos longe das risadas, da música e da alegria que, poucos instantes antes, pareciam tão contagiantes.
Caminhou até o parapeito e ficou ali, olhando para o vazio. As luzes da festa continuavam brilhando atrás dela, mas pareciam pertencer a outro mundo.
Bianca fechou os olhos por um instante. Uma lágrima finalmente escapou, ela a enxugou depressa. Depois outra, dessa vez, não tentou impedir.
Ali, sozinha, permitiu-se sentir aquilo que passara a noite inteira tentando esconder.
Bianca permaneceu junto ao parapeito, tentando controlar a emoção. Ouviu que os passos se aproximavam.
— Bianca?
Ela reconheceu a voz e fechou os olhos por um breve instante.
Bruno.
— Você está bem?
Bianca respirou fundo antes de responder sem se virar.
— Estou.
A resposta saiu rápida demais e Bruno a observou por alguns segundos.
— Você está com frio?
— Um pouco.
Sem dizer mais nada, Bruno tirou o paletó e o colocou cuidadosamente sobre os ombros dela. Bianca ficou imóvel. Sentiu o coração acelerar e a respiração suspensa por um instante.
O tecido ainda guardava o calor do corpo dele, e o perfume familiar a envolveu de imediato. Por um instante, todo o esforço que fazia para esconder o que sentia pareceu ainda mais difícil.
— Melhor?
Ela assentiu.
— Sim. Obrigada.
Os dois permaneceram em silêncio por alguns instantes, olhando para a cidade iluminada. Então Bruno pareceu lembrar de algo.
— E como vão os preparativos da sua exposição?
Bianca ergueu os olhos para ele, surpresa.
— Está indo bem, o senhor Augusto Avelar é bem exigente, mas está me dando todo apoio

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