Eduardo permaneceu em silêncio por alguns segundos.
— Eu sei.
Mas não se afastou. Pelo contrário, seus braços permaneceram firmes ao redor dela, como se, naquele momento, afastá-la fosse mais difícil do que admitir o que ambos estavam tentando esconder.
Helena ergueu os olhos novamente.
— E o que vamos fazer?
A pergunta saiu quase como um sussurro.
A música continuava ao redor deles, os outros casais dançavam, conversavam e sorriam, mas, naquele instante, parecia que o salão inteiro havia desaparecido.
— Eu não sei — respondeu finalmente.
Helena sentiu o coração apertar.
Eduardo inclinou o rosto, aproximando-se lentamente. Estavam perigosamente perto, os lábios cada vez mais próximos. Permaneceram assim, presos entre o desejo de se entregar e o medo das consequências.
Então Eduardo fechou os olhos e encostou a testa na dela.
— Isso está ficando mais difícil do que deveria.
Helena fechou os olhos também.
— Sim.
A música continuava e eles continuavam sentindo não só o ritmo da música os conduzir, mas as batidas de seus corações e as respirações se misturando.
Algumas pessoas ao redor admiravam o casal enquanto dançava. John e Elizabeth passaram por eles e trocaram um sorriso discreto.
Do lado de fora da pista, Olívia observava o filho com uma expressão emocionada.
— O que foi, querida? — perguntou Gilberto ao perceber o olhar da esposa.
— Acho que finalmente Deus ouviu minhas preces.
Gilberto acompanhou a direção de seu olhar e ficou surpreso.
Já havia visto o filho dançando com Helena outras vezes, mas dessa vez era diferente. Dessa vez, havia intimidade no modo como Eduardo a segurava. Não pareciam dois homens e mulheres cumprindo o papel de um casal diante dos convidados.
Pareciam realmente marido e mulher. Gilberto voltou os olhos para Olívia e sorriu de leve, sem precisar dizer nada.
Do outro lado do salão, Bruno também observava os dois, mas dessa vez, não havia sorriso em seu rosto. Apenas um olhar atento, quase de constatação do que ele já suspeitava.
A música continuou, cada vez mais envolvente, até que Bruno ouviu a voz de Patrícia ao seu lado
— Bruno, vamos dançar? — perguntou ela, estendendo a mão.
Bruno hesitou por um instante, mas aceitou.
— Vamos.
Os dois seguiram para a pista.
Patrícia dançava bem, e Bruno a conduzia com passos leves, sem grande dificuldade. Ainda assim, seus pensamentos não estavam inteiramente ali.
De tempos em tempos, seus olhos buscavam Helena, ainda dançando com Eduardo.
A dança os levou para outra parte da pista e, durante uma volta, passaram por Bianca, que dançava com Alberto.
Ela sorria enquanto conversava com ele. Ao passar por eles, os olhos de Bianca encontraram os de Bruno.
O sorriso dele surgiu quase automaticamente.
Bruno apenas inclinou levemente a cabeça, num gesto discreto, como se dissesse que estava tudo bem. Que ela podia continuar dançando com Alberto.


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