Helena desviou os olhos.
— Eu só fiquei surpresa. — Tentou manter a calma, embora por dentro o coração batia descompassado.
— Não foi apenas surpresa. — A voz dele continuava controlada. — Eu conheço você o suficiente para saber quando alguma coisa está errada.
Naquela noite, poucas horas antes, ele havia segurado a mão dela sobre a mesa.Helena se aproximado espontaneamente, sem medo, sem hesitação.
Ele acreditava que talvez aquele casamento estivesse se tornando algo próximo do real, e então Danilo apareceu.
— Você ainda sente alguma coisa por ele? — perguntou finalmente.
Helena levantou os olhos. A pergunta a pegou desprevenida, Helena abriu a boca, mas a resposta demorou a sair.
Como poderia explicar a Eduardo que ele poderia destruir a vida deles?
— Não, é claro que não.
Ela desviou o olhar e Eduardo continuou a encarando, como se tentasse encontrar alguma coisa além daquelas palavras.
— Helena, me diga a verdade… eu não suporto mentiras e você sabe muito bem.
Ela fechou os olhos por um instante e então voltou a encará-lo, olhando bem dentro dos olhos dele.
— Eu não estou mentindo, Eduardo. — As palavras saíram quase num sussurro.
Eduardo ficou olhando para aqueles olhos límpidos e aparentemente sinceros, incapazes de mentir, ou não?
Helena sentiu o peito apertar cada vez mais e pensou em contar tudo. Falar sobre a chantagem, sobre as ameaças e sobre o segredo que vinha carregando sozinha.
Mas o medo a impediu.
Se Eduardo soubesse ele não iria ficar parado e ceder a chantagem, então tudo estaria perdido não só entre eles, mas também abalaria a relação e os negócios com os Walker e o escândalo poderia ser irreversível para sua reputação e a do Grupo Monteiro. E, também, tinha Bruno. Com certeza não só a reputação dele seria abalada, mas a amizade de anos dele com Eduardo.
O escândalo poderia atingir não só os negócios, mas a família de Eduardo, sua família e sua própria empresa e se tornar irreversível.
O semblante de Eduardo endureceu diante da pouca explicação.
— Eu preciso saber o que está acontecendo, Helena. Preciso confiar em você.
E, dentro dela, a ameaça voltou a ecoar “Não conte nada a seu marido”
Aquelas palavras falaram mais alto.
— Por favor, Eduardo confie em mim, não há nada entre nós, Danilo é um passado amargo da minha vida. Deixe ele lá. — disse ela, finalmente.
Eduardo franziu a testa e então deu um passo para trás e virou-se de costas para ela. O silêncio voltou a ocupar a sala. Mas, dessa vez, era diferente, mas já conhecido
— Boa noite, Helena.
Helena sentiu os olhos arderem. Ficou olhando para os ombros largos e rígidos de Eduardo, viu a tensão neles e teve certeza que ele sabia que ela não contara tudo.
— Eduardo,,,
— Boa noite, Helena.
A voz cortante e fria que ela bem conhecia voltou a seus ouvidos como uma facada em seu coração.
Ele se afastou sem olhar para trás.
Helena permaneceu imóvel no meio da sala, lutando contra as lágrimas. Através das portas de vidro, viu Eduardo seguir para a área externa da casa.
Pouco depois, ele acendeu um cigarro.

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