Bianca deu apenas alguns passos e novamente ficou impressionada.
Por fora, a residência já era grandiosa. Por dentro, porém, conseguia ser ainda mais impressionante sem perder a sensação de leveza.
O hall de entrada possuía um pé-direito duplo que fazia o espaço parecer ainda maior. A luz natural entrava pelas enormes paredes de vidro e se espalhava pelo ambiente, refletindo nos pisos claros e nas superfícies cuidadosamente escolhidas.
A arquitetura era moderna, com linhas retas, poucos elementos decorativos e uma paleta de cores claras.
Nada parecia excessivo.
Não havia dourados espalhados pelas paredes, móveis exageradamente ornamentados ou objetos destinados apenas a demonstrar riqueza.
O luxo estava nos detalhes.
No mármore claro que revestia parte do piso, na madeira natural dos painéis, na iluminação discreta embutida no teto e nos móveis de design elegante, escolhidos para criar conforto em vez de ostentação.
Uma escadaria de linhas leves acompanhava uma das paredes do grande hall, com guarda-corpo de vidro que quase desaparecia diante da luminosidade do ambiente.
À direita, uma sala ampla se abria para o jardim através de enormes painéis de vidro.
Do outro lado, Bianca conseguiu vislumbrar uma área de convivência integrada à varanda, onde sofás claros estavam dispostos ao redor de uma mesa baixa.
Tudo era sofisticado. Mas, ao mesmo tempo, havia algo acolhedor naquele lugar. Era uma casa feita para ser vivida, para a convivência.
Alice também parecia encantada.
— É tudo tão… claro e sofisticado — murmurou.
Bruno ouviu e sorriu.
— Minha mãe não gosta de ambientes escuros.
— Dá para perceber — respondeu Alice.
Apesar das grandes paredes de vidro que deixava o sol entrar, o clima no interior da casa era muito agradável devido a um eficiente sistema de refrigeração central.
Ao fundo, uma enorme parede de vidro permitia enxergar novamente o jardim, o lago com a estrutura de vidro e parte do campo que haviam visto do lado de fora. A natureza parecia fazer parte da própria arquitetura da casa.
Bianca teve a impressão de que as paredes de vidro não separavam a residência do jardim. Quase pareciam convidá-lo para dentro.
Bruno conduziu as duas por um corredor amplo até a sala de estar. Ali, o ambiente assumia uma atmosfera um pouco mais íntima.
Sofás claros e profundos formavam uma composição elegante em torno de uma mesa de centro. Algumas poltronas de design contemporâneo estavam posicionadas próximas às janelas, e vasos com flores naturais acrescentavam cor ao espaço.
No centro da sala, uma mulher elegante estava sentada.
Arlete Lima.
Ela se levantou assim que viu o filho entrando acompanhado das duas jovens. Seu sorriso se abriu imediatamente.
— Finalmente você chegou, meu filho.
Bruno se aproximou e beijou o rosto da mãe.
— Desculpe a demora, mãe.
Arlete então voltou os olhos para Bianca e Alice.
Seu olhar foi gentil e acolhedor.
— E estas devem ser as responsáveis por transformar meu salão de festas.
Alice sorriu.
— Espero que possamos fazer jus à expectativa, senhora Lima.
Arlete riu suavemente.
— Tenho certeza de que sim. Venham, sentem-se. Quero conhecer melhor vocês e contar exatamente o que estou imaginando.
Bianca sorriu para a mãe de Bruno, ela a tinha visto no casamento de Laura, mas não foram apresentadas.
Arlete Lima, era alta e muito elegante, vestia um vestido verde escuro de corte elegante que, apesar de seus mais de cinquenta anos, ainda conserva a beleza da juventude, Bruno se parecia muito com ela.
— Sentem-se por favor.
Mas, antes de se sentar, seus olhos encontraram os de Bruno e se surpreendeu que ele estava olhando para ela. Já sem os óculos, ela percebeu seu olhar suave como se admirasse.
Foi apenas alguns segundos, mas o suficiente para seu coração acelerar novamente. Bianca desviou o olhar depressa.
Arlete percebeu a troca de olhar, a princípio achou estranho e então um pequeno sorriso surgiu no canto de seus lábios.
*****
Naquele mesmo dia, no outro lado da cidade, Eduardo estava no escritório do Grupo Monteiro.
E não estava tendo um bom dia.
Sentado atrás da enorme mesa, tinha diante de si uma pilha de documentos que já havia revisado duas vezes.
Ainda assim, nada parecia estar certo.

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