— Então, a senhorita é pintora?
Arlete acabara de colocar a xícara de chá sobre a mesa de centro. Seus gestos eram elegantes, o semblante tranquilo e havia sempre um leve sorriso em seus lábios, semelhante ao de Bruno.
— Sim. Gosto muito de pintar.
— Bruno me disse que a senhorita está organizando uma exposição na galeria de Augusto Valença.
Bianca desviou o olhar para Bruno. Ele estava sentado elegantemente em uma poltrona próxima à mãe.
Ele havia falado dela para a mãe?
— Será uma honra, senhora Lima.
A surpresa fez seu coração bater um pouco mais depressa.
— Sim. Será minha primeira exposição. Confesso que estou um pouco nervosa.
— Eu gostaria muito de ir.
Bianca arregalou os olhos, sem saber o que responder.
— Minha mãe é uma grande apreciadora de arte — explicou Bruno, com a voz suave e envolvente. — Cresci cercado por pinturas e esculturas. Acho que acabei herdando dela esse gosto.
Só de ouvi-lo, Bianca sentiu o coração aquecer. Havia algo especialmente agradável em descobrir aquele interesse em comum com Bruno.
Foi então que passou a observar melhor o ambiente. A decoração moderna e elegante da residência incorporava pinturas de artistas consagrados, algumas de valor certamente expressivo, além de esculturas e objetos artísticos que pareciam ter sido escolhidos com cuidado. Não eram meros adornos, mas obras que revelavam o apreço da família pela arte.
— Será uma honra recebê-la, senhora Lima.
Bianca olhou ao redor e demorou os olhos em uma das pinturas antes de voltar-se para ele.
— A sua casa é belíssima, senhora Lima.
— E muito grande também. — comentou Alice, admirada.
Arlete sorriu.
— Eu sonhava em ter uma família grande, mas só tivemos Bruno e Vitória.
Por um instante, seu semblante se entristeceu. Bianca percebeu que havia tocado em um assunto delicado. Mas Arlete logo recuperou o sorriso.
— Ainda assim, continuo acreditando que um dia terei esta casa cheia de netos. E espero que seja em breve.
Ao dizer isso, lançou um olhar significativo para Bruno. Ele apenas ergueu uma sobrancelha, como se já conhecesse muito bem aquele olhar da mãe.
— Bem, queridas, conversamos tanto que quase me esqueci do nosso propósito.
Era verdade.
Arlete tinha uma conversa agradável e envolvente. Bianca imaginara que falariam sobre a reforma assim que chegassem, mas o chá havia se transformado em uma agradável conversa sobre arte, família e a exposição.
Alice, encantada com a casa e talvez um pouco intimidada pela presença de Arlete, permaneceu mais quieta, limitando-se a ouvir.
— Vamos? Vou mostrar o salão de festas.
Os quatro deixaram a sala e passaram pelos amplos ambientes da casa até chegarem a uma porta lateral próxima ao lago.
Foi então que Bianca percebeu uma ponte de madeira e pedra que avançava sobre as águas, conduzindo diretamente à ilha artificial.
Ela olhou para Alice e as duas compreenderam ao mesmo tempo. Aquela construção que, vista de longe, parecia um palácio de cristal era, na verdade, o salão de festas.

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