Assim que conseguiram impedir que o ataque comprometesse os sistemas do Grupo Monteiro, Bernardo e Gabriella não consideraram o trabalho encerrado.
A primeira providência foi isolar os servidores atingidos e interromper todas as conexões externas que não fossem indispensáveis. Em seguida, começaram a verificar os acessos, identificar os pontos de entrada utilizados pelos invasores e preservar os registros do sistema para que nenhuma evidência fosse perdida.
— Eles ainda podem estar lá dentro — disse Gabriella, com os olhos fixos nas telas. — Precisamos ter certeza antes de liberar qualquer acesso.
Bernardo assentiu e iniciou uma varredura completa na rede. Enquanto um sistema verificava arquivos e servidores, outro monitorava as conexões em busca de qualquer atividade suspeita.
O procedimento era lento. Não bastava bloquear o ataque. Era preciso descobrir até onde os invasores haviam conseguido chegar, eliminar possíveis brechas e garantir que não houvesse nenhum acesso oculto esperando para ser reativado.
As horas passaram sem que nenhum dos dois percebesse.
Leonardo e Eduardo permaneceram próximos, acompanhando o trabalho em silêncio. De tempos em tempos, Bernardo explicava alguma alteração necessária ou pedia autorização para restringir determinado acesso, mas, na maior parte do tempo, os dois apenas observavam.
A madrugada avançou.
Depois de algumas horas, Gabriella conseguiu confirmar que os principais servidores estavam novamente sob controle. Bernardo então iniciou uma segunda sequência de testes, dessa vez para verificar se os sistemas restaurados permaneciam seguros mesmo sob novas tentativas de acesso.
Quando finalmente olharam para as janelas da sala, uma faixa pálida de luz começava a surgir no horizonte. A noite havia ficado para trás sem que percebessem.
O dia amanhecia quando Bernardo se recostou na cadeira, exausto.
— Felizmente a integridade do sistema não foi afetada
Gabriella retirou os olhos da tela e respirou fundo.
— Sim.
Pouco depois das primeiras horas da manhã, novas informações começaram a chegar.
A polícia havia conseguido localizar parte dos envolvidos no ataque cibernético. Alguns hackers foram presos em diferentes pontos da cidade, enquanto outros eram procurados após terem seus endereços identificados por meio dos rastros deixados durante a invasão.
Leonardo recebeu a atualização diretamente no celular e mostrou a mensagem aos demais.
— Encontraram mais dois — informou. — E parece que já chegaram a outros nomes ligados ao grupo.
Gabriella soltou o ar lentamente, mas não demonstrou alívio.
— São um grupo muito bom, pena que usam o talento deles para o erro.
— Eles querem dinheiro fácil. — respondeu Bernardo.
O ataque havia sido contido, alguns dos responsáveis estavam presos e o sistema do Grupo Monteiro começava a voltar à normalidade.
Depois de encerrar as atividades e recolher os notebooks, Bernardo virou-se para Leonardo que estava tranquilo no canto só observando, depois de conterem os ataques, Leonardo não participou do restabelecimento do sistema.
Bernardo se aproximou de Leonardo e colocou as mãos na cintura.
— Agora, acho que alguém nos deve uma explicação. — A voz de Bernardo era um misto de irritação e cobrança.
Ele olhava para Leonardo visivelmente zangado, já havia uma certa rivalidade entre eles, no início foi por causa de Gabriella, depois eram provocações veladas que só agora Bernardo entendeu.
— Eu concordo com Bernardo. — Eduardo olhava para o irmão, e havia cobrança em sua voz. — Também quero saber por que você não nos contou que é Leon Vargas.
Leonardo sustentou o olhar do irmão por alguns segundos, mas o sorriso divertido continuava em seus lábios.
— Tudo bem. Eu conto. — Fez uma pausa proposital. — Mas não sem antes tomar o delicioso café da Márcia.
— Você não cresce mesmo. — Eduardo balançou a cabeça, com um misto de orgulho e irritação diante da maneira como o irmão ainda conseguia esconder sua verdadeira identidade. — Eu preciso fazer algumas ligações. Depois quero tudo em detalhes.
Depois da saída de Eduardo, Bernardo soltou uma risada curta, sem qualquer humor.
— Claro. Porque, aparentemente, depois de passar a noite inteira escondendo de todo mundo que é um dos hackers mais procurados do mundo, você ainda tem tempo para pensar em café.
Leonardo ergueu uma sobrancelha.
— Não exagera, Bernardo. Procurado é uma palavra muito forte.
Bernardo estreitou os olhos.
— Tecnicamente, não.
Leonardo sorriu ainda mais.
— E você continua muito fácil de irritar.
Gabriella, que até então observava os dois, cruzou os braços.
— Esperem um pouco.
Os dois olharam para ela. Gabriella encarou Leonardo com uma mistura evidente de admiração e indignação.
— Você é mesmo Leon Vargas?

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