Quando Helena chegou à cafeteria, encontrou Danilo sentado tranquilamente em uma mesa mais afastada, tomando um café.
Assim que a viu, ele se levantou e abriu um largo sorriso. Instintivamente, caminhou em sua direção, como se ainda tivesse o direito de recebê-la com intimidade.
Helena recuou e ergueu a mão, impedindo qualquer aproximação.
— Não se preocupe. Dessa vez não tem ninguém.
— Vamos logo acabar com isso. — A voz dela deixava claro que não queria prolongar aquele momento
O sorriso dele diminuiu.
— Você que manda.
Danilo indicou a cadeira à sua frente, e Helena se sentou. Um garçom se aproximou e, antes que pudesse perguntar o que ela gostaria de beber, ela se adiantou:
— Eu não vou querer nada. Meu assunto é breve.
Helena falou com firmeza e o garçom se afastou, e Danilo voltou a observá-la.
— Sabe, Helena... se eu soubesse que você ficaria tão bonita e bem-sucedida, jamais teria deixado você.
Helena sustentou o olhar dele, mas com frieza e desprezo.
— Engraçado. Olhando para você agora, eu só consigo sentir nojo e repulsa.
O sorriso de Danilo desapareceu. Por alguns segundos, ele permaneceu em silêncio.
— Eu não a culpo. Na verdade, eu também não gosto muito dessa minha versão.
Helena arqueou levemente as sobrancelhas, surpresa com a sinceridade ou a falta dela.
Danilo apoiou as mãos sobre a mesa e cruzou os dedos.
— No passado, eu queria o caminho mais fácil em vez de trabalhar por aquilo que queria. — Fez uma pausa. — E olha o que aconteceu comigo. Estou solteiro, decepcionei meus pais, meus amigos se afastaram e a empresa está quase falida.
Baixou os olhos para a xícara.
— Então encontrei uma oportunidade e estou usando.
Helena o encarou por alguns instantes.
— Você continua querendo o caminho mais fácil.
Danilo deu de ombros.
— Pode ser.
— Então deveria se sentir orgulhoso disso. Extorquindo uma mulher sem o menor escrúpulo.
Danilo não respondeu. Apenas a olhou, como se ponderasse o que ela havia dito. Helena manteve os olhos fixos nos dele, procurando enxergar além daquele semblante confiante.
— Talvez o problema nunca tenha sido você não ter oportunidades, Danilo. Talvez tenha sido aquilo que você decidiu fazer com elas.
Por um instante, algo mudou em seu rosto. O semblante antes relaxado e confiante tornou-se mais tenso. Danilo desviou o olhar para a janela e não respondeu. Depois de alguns segundos, voltou a encará-la.
— Como você disse... vamos acabar logo com isso.
Helena pegou a pasta de dentro da bolsa e a colocou sobre a mesa. Danilo a puxou para perto, sem sequer abri-la para verificar o conteúdo. Em seguida, guardou-a em sua pasta executiva.
— Não vai conferir? — Perguntou Helena surpresa.
— Não precisa. Eu confio em você.
A resposta a surpreendeu por um instante, então ela não esperou mais. Levantou-se e, antes de se virar para sair, inclinou-se levemente sobre a mesa. Seus olhos estavam carregados de ressentimento e indignação.
— Pena que eu não posso dizer o mesmo de você… — Fez uma breve pausa, como se aquelas últimas palavras lhe custasse mais do que gostaria de admitir. — Não consigo entender como, um dia, pude ter a ilusão de que estava apaixonada por você.
Helena não esperou por uma resposta. Endireitou-se e saiu a passos firmes, sem olhar para trás.
Danilo acompanhou sua partida com os olhos até que ela desaparecesse pela porta da cafeteria.
A pasta estava ali com o dinheiro, era exatamente o que queria. Mas, estranhamente, não sentiu a satisfação que imaginara.
Permaneceu sentado, sério, olhando para a porta por onde Helena havia saído. Sentindo um gosto meio amargo, aquela vitória não parecia ter sido uma vitória.
*****

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Proibida de Amar Meu Marido