Naquela semana, mesmo depois da conclusão das negociações com o Grupo Walker, Eduardo continuou trabalhando em ritmo intenso. Os últimos ajustes nos projetos e as novas demandas da empresa pareciam não lhe dar trégua.
Todos os dias, permanecia no escritório até tarde da noite, acompanhando pessoalmente cada etapa do trabalho.
Helena, porém, encontrou uma maneira de fazer parte daquela rotina.
Embora o prédio dispusesse de uma cozinha completa, com funcionários preparados para atender às necessidades dos executivos, ela passou a levar o jantar de Eduardo pessoalmente.
No início, ele tentou argumentar que não precisava se dar a esse trabalho. Helena, entretanto, não se deixou convencer.
Os dois jantavam juntos no escritório, aproveitando aquele intervalo para conversar sobre o dia. Às vezes, falavam sobre trabalho, entre outros assuntos e coisas simples, sem importância aparente, mas que tornavam aquelas noites menos cansativas.
Depois, Eduardo voltava a se concentrar no trabalho, enquanto Helena retornava para casa. Pelo menos, era assim que deveria acontecer.
Certa noite, porém, depois de mais um jantar, Helena decidiu esperar por ele.
Não queria voltar para a mansão e passar horas acordada, imaginando a que horas o marido chegaria. Preferiu acomodar-se no sofá, dizendo a si mesma que descansaria um pouco enquanto ele terminava o trabalho.
Quando Eduardo finalmente concluiu suas tarefas, já passava das duas da manhã. Os funcionários já haviam ido embora, e os andares estavam quase todos às escuras.
Ele afrouxou a gravata e olhou para a figura encolhida no sofá. Helena dormia profundamente, com a cabeça apoiada em uma almofada e uma das mãos sob o rosto.
Eduardo se aproximou e abaixou para ficar mais próximo dela.
— Helena... — chamou baixinho.
Ela não se mexeu.
Ele se aproximou mais e afastou delicadamente uma mecha de cabelo que caíra sobre o rosto dela e se inclinou para beijar sua testa.
Helena despertou devagar, confusa por um instante. Quando reconheceu Eduardo, seus olhos se abriram um pouco mais. Ela se sentou, tentando disfarçar o sono.
— Que horas são?
— Já passa das duas da manhã.
Helena arregalou os olhos.
— Duas da manhã?
— Você deveria ter ido para casa.
Ela sorriu suavemente.
— Agora podemos ir juntos.
— Certo, vamos. Preciso de uma cama com urgência.
Helena sentiu as faces corarem.
Apesar de o relacionamento ter melhorado consideravelmente, ainda havia barreiras que Eduardo fazia questão de manter. Às vezes, bastava um gesto carinhoso, um beijo inesperado ou a maneira como ele a procurava com os olhos para fazê-la acreditar que estavam finalmente avançando. Logo depois, porém, ele voltava a se refugiar naquela cautela que parecia governar cada aspecto de sua vida.
Eduardo era, sem dúvida, o homem mais controlado e determinado que ela conhecia. No trabalho, nada parecia escapar à sua atenção; cada decisão era calculada, cada risco, avaliado. E, quando se tratava dos próprios sentimentos, ele parecia agir da mesma maneira, como se pudesse estabelecer limites para o coração e impedir que algo escapasse ao seu domínio.
Mas Helena já começava a perceber que nem mesmo ele conseguia controlar tudo, os negócios sim, mas as emoções não.
Os beijos, a proximidade, os momentos em que baixava a guarda... Nada disso combinava com a distância que ele ainda tentava preservar.


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