Bruno se juntou ao grupo de homens. Parecia perfeitamente à vontade naquele ambiente simples e descontraído, segurando uma cerveja enquanto conversava com Leonardo, Alberto e Bernardo.
Bianca o observou à distância.
Por um instante, voltou a comparar aquele pequeno jardim, a casa onde crescera, as mesas espalhadas pelo quintal e a simplicidade daquela festa com a grandiosidade da mansão dos Lima.
Bruno, porém, parecia completamente encaixado ali, não parecia deslocado. A constatação fez um sorriso surgir em seus lábios.
— Do que você está rindo?
A voz de Helena a tirou dos pensamentos. Bianca virou-se e encontrou a prima observando-a, seguindo depois a direção de seu olhar.
— Não é nada.
Ela soltou um pequeno suspiro.
Não queria alimentar ilusões. Muito menos ouvir Helena dizer que talvez existisse uma possibilidade entre eles. Mas, ao olhar para a prima, mudou de assunto.
— E você e o Eduardo? Como vocês estão?
Helena ergueu uma sobrancelha.
— Por que a pergunta?
— Porque estou observando vocês há algum tempo. — Bianca sorriu. — É impressão minha ou vocês finalmente estão parecendo um casal de verdade?
Helena acompanhou o olhar da prima até o grupo de homens. Eduardo conversava com Leonardo, Bruno e Alberto, mais descontraído do que costumava ser. Em determinado momento, seus olhos encontraram os de Helena e ele sorriu de leve.
Por alguns segundos, as duas permaneceram em silêncio, cada uma contemplando, naquela mesma direção, sentimentos que ainda não conseguiam colocar completamente em palavras.
— Nós estamos bem — respondeu Helena por fim.
Helena respirou fundo.
— Mas ainda não... não é exatamente um casamento de verdade.
O sorriso de Bianca desapareceu.
Ela conhecia a história do contrato, sabia que o casamento havia começado por necessidade e que ainda existiam cláusulas que os prendiam um ao outro.
Mas não esperava ouvir aquilo. Quase três anos e eles ainda não haviam ultrapassado aquela última barreira.
Bianca não fez nenhuma pergunta precipitada. Apenas esperou Helena continuar.
— O Eduardo ainda se deixa reger pelo contrato. Enquanto ele existir, parece que existe também um muro entre nós.
— Mas... por quê?
Helena baixou os olhos.
— Porque para ele não é tão simples.
— Eu não entendo. — Bianca falou com sinceridade. — Helena, você é a mulher mais incrível que conheço. É linda, inteligente, carinhosa... Como ele consegue viver sob o mesmo teto com você e manter tanta distância?
Helena soltou um pequeno sorriso.
— Acredite, Bianca... não é falta de desejo.
A prima ficou em silêncio, mas a surpresa era evidente.
— Às vezes acho que esse é justamente o problema. Eu sinto que ele me quer muito mais do que gostaria.
A frase ficou suspensa entre as duas.
— Então por que ele e você ainda…?
Helena demorou alguns segundos para responder, seu rosto ficou levemente vermelho.
— Porque o Eduardo passou muito tempo acreditando que controlar os sentimentos era a única maneira de não sofrer novamente.
— Por causa do que aconteceu antes de você?
Helena assentiu.
— Sim.
Ela não precisava explicar todos os detalhes. Bianca sabia que havia uma história dolorosa envolvendo Viviane, o acidente e o irmão de Eduardo. Sabia que aquele passado ainda tinha forças para alcançar o presente.
— Ele foi abandonado quando mais precisava de alguém — continuou Helena. — E depois viveu coisas que fizeram com que deixasse de confiar nas pessoas. Acho que, para ele, amar alguém significa entregar a essa pessoa uma parte do próprio controle.


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