A música alegre envolvia o jardim da casa de Bianca. Amigos e conhecidos conversavam ao redor da piscina, enquanto alguns aproveitavam a tarde quente para se refrescar na água. O aroma do churrasco se misturava ao perfume das flores, e o clima era de pura descontração.
Glória supervisionava os preparativos e se certificava de que nada faltasse aos convidados, enquanto Bernardo circulava pelo jardim, satisfeito com o resultado da surpresa que organizara.
Bianca, a aniversariante, recebia a todos com um sorriso. Ela havia desejado apenas um pequeno churrasco em família, mas o irmão insistira em convidar os amigos mais próximos.
Entre eles estavam Gabriella, Alberto e Leonardo, além de Célia, acompanhada do marido e do filho de dezoito anos, Amanda, com Sandro, e Cláudia, namorada de Murilo, entre alguns parentes e amigos.
Helena chegou acompanhada de Eduardo. Os dois trocavam olhares e sorrisos discretos, envolvidos naquele flerte silencioso que vinha se tornando cada vez mais natural entre eles. Eduardo, em particular, parecia mais descontraído do que de costume.
Ainda assim, sua presença despertava certa intimidação. Para muitos, ele continuava sendo o empresário frio e distante, pouco afeito a ambientes informais. Naquela tarde, porém, sua postura começava a contrariar essa impressão.
Enquanto Helena se aproximava de Bianca para entregar o presente, Eduardo foi cumprimentar os demais convidados.
— Senhor Eduardo — disse Murilo, endireitando discretamente a postura.
Eduardo lhe ofereceu um sorriso breve.
— Como vai, Murilo?
— Muito bem, senhor. Esta é Cláudia, minha namorada.
Eduardo voltou-se para ela.
— Você é amiga da Helena, não é?
— Sim, senhor.
— Estamos numa festa.Não precisa ser tão formal — Ele sorriu de leve.
— Claro, senhor. Mesmo assim é estranho. — Respondeu Murilo.
Depois de cumprimentar os outros convidados, Eduardo chegou onde Leonardo e Alberto conversavam.
— Eduardo... Não acredito que você veio a um churrasco à beira da piscina! — exclamou Leonardo, com um sorriso provocador.
Desde a tentativa de invasão aos sistemas do Grupo Monteiro, os irmãos quase não haviam se encontrado. Leonardo sabia que Eduardo estivera mergulhado no trabalho, passando horas seguidas no escritório para acompanhar a recuperação dos sistemas e os novos projetos da empresa.
— É meu dever acompanhar minha esposa — respondeu Eduardo, com uma tranquilidade que não passou despercebida.
Alberto olhou na direção de Helena, que conversava com algumas amigas.
— Ainda acho difícil acreditar que vocês são casados.
Eduardo voltou os olhos para ele.
— Pois pode acreditar.
A resposta foi seca, um garçom passou com uma bandeja de cervejas geladas. Leonardo pegou duas e entregou uma ao irmão.
— Aqui. Você precisa relaxar um pouco.
Eduardo aceitou a garrafa.
— Estou relaxado.
Leonardo soltou uma risada.
— Claro. E eu sou um exemplo de discrição.
Eduardo apenas balançou a cabeça, mas não conseguiu esconder o sorriso. Naquele dia, até ele parecia disposto a abrir uma exceção.
*****
O som da campainha chegou até o jardim. Glória olhou para Bianca.
— Bianca, querida, vá ver quem chegou.
A aniversariante soltou um suspiro divertido.
— Quem será agora? Eu disse que queria algo simples e pequeno!
Bernardo passou um braço pelos ombros da irmã.
— Você merece uma grande festa.
— Você é o responsável por tudo isso!
— Sou. E faria tudo de novo. Agora vá receber seus convidados.
Bianca riu e seguiu apressada para a entrada. Ao abrir a porta, porém, o sorriso que trazia nos lábios desapareceu.
Bruno estava diante dela e sorria. Aquele sorriso que ela conhecia tão bem, capaz de fazê-la esquecer todas as razões pelas quais deveria manter os pés no chão.
O coração deu um salto. O rosto perdeu a cor por um instante, antes que um leve rubor lhe alcançasse as faces.
— Bruno...
— Feliz aniversário, Bianca.
A voz grave e suave a deixou ainda mais confusa. Ela continuou parada, olhando para ele como se precisasse confirmar que não estava imaginando coisas.

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