Na manhã seguinte, Helena acordou cedo, a noite foi agitada por sonhos que envolviam a feira e se misturavam com Eduardo, às vezes parecia tão real que ela podia até sentir o toque dele em sua pele, ela acordava e respirava com dificuldade com a sensação de que ele estivesse ali com ela.
Ela levantou-se rápido, tomou um banho e desta vez escolheu um conjunto de terninho rosa claro, levemente acentuado na cintura de corte perfeito. Desceu as escadas e se admirou ao encontrar Eduardo.
— Bom dia, senhora. — cumprimentou Olga com seu sorriso sereno.
— Bom dia.
Olga, discreta, voltou para a cozinha.
Helena hesitou um pouco antes de terminar de entrar na sala de jantar.
— Vejo que seguiu meu conselho. — Disse Eduardo olhando para o sapato baixo que ela usava.
Instintivamente ela olhou para os próprios pés.
— Sim.Vai ser um dia bem puxado na feira hoje.
Helena se sentou ao lado de Eduardo, era estranho tomarem café juntos, para disfarçar o nervosismo, ela ajeitou uma mecha do cabelo atrás da orelha, gesto que não passou despercebido por Eduardo.
O silêncio caiu sobre eles de forma quase que natural, mas impossível de disfarçar a percepção que cada um tinha da presença do outro.
O celular de Eduardo tocou de repente. Ao olhar para a tela, ele franziu levemente a testa antes de atender.
— Alô, mãe.
Helena não conseguia ouvir o que Olívia dizia do outro lado da linha, mas percebeu o semblante dele mudar aos poucos.
— Entendi. — Houve uma breve pausa. — Não sei se teremos tempo.
Pela expressão contrariada de Eduardo, sua mãe devia estar insistindo bastante. Depois de alguns segundos, ele voltou a falar:
— Sim, ela está aqui. Vou passar para ela.
Então estendeu o celular na direção de Helena.
— Minha mãe quer falar com você.
Helena o encarou surpresa. Fazia dias que não conversava com Olívia. Pegou o aparelho um pouco hesitante.
— Alô…
— Querida! Estou morrendo de saudades. — A voz calorosa de Olívia fez Helena sorrir sem perceber.
— Eu também estou com saudades, senhora Olívia.
— Nada de “senhora”. Você sabe que não gosto disso. — reclamou ela de maneira bem-humorada. — Helena, minha mãe quer que vocês dois vão à chácara neste fim de semana.
Helena ergueu os olhos imediatamente para Eduardo. Ele já a observava com expressão fechada, como se soubesse exatamente o rumo daquela conversa.
Enquanto Olívia falava animadamente sobre almoço em família, passeios e a avó de Eduardo querendo vê-los, Helena sentiu um leve desconforto crescer.
Provavelmente Eduardo pensava o mesmo que ela: teriam que dividir o mesmo quarto.
— Senhora Oli… quer dizer, Olívia… eu preciso ver com Eduardo.
— Diga a ele que não aceito desculpas dessa vez. — respondeu prontamente. — E se vocês não forem, a avó ficará profundamente triste.
— Está bem. Vou falar com ele.
Depois de mais alguns minutos de conversa, Olívia finalmente desligou. Helena devolveu o celular a Eduardo.
— Sua mãe…
— Eu sei. — respondeu ele secamente.
Guardou o telefone no bolso antes de continuar:

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