A tempestade continuava violenta do lado de fora.
O vento golpeava as janelas com força, enquanto os relâmpagos cortavam o céu em clarões quase contínuos. Os trovões pareciam cada vez mais próximos, como se o próprio mundo estivesse desabando ao redor deles.
Helena permanecia encolhida na cama, os braços apertados contra o próprio corpo.
Então um clarão violentíssimo iluminou o quarto inteiro. No mesmo instante, um estrondo ensurdecedor sacudiu a casa.
Helena soltou um grito baixo e levantou-se assustada da cama.
As luzes apagaram imediatamente. O quarto mergulhou na escuridão, iluminado apenas pelos relâmpagos que atravessavam as cortinas.
Outro trovão explodiu no céu e Helena sentiu o ar faltar. O coração disparou de forma descontrolada e um pânico sufocante apertou seu peito.
— Helena? — a voz de Eduardo surgiu em algum ponto próximo dela. — Está tudo bem?
Mas ela não conseguiu responder, a respiração vinha rápida demais, como se algo apertasse sua garganta.
Eduardo percebeu imediatamente que havia algo errado.
Outro relâmpago iluminou rapidamente o quarto e ele conseguiu vê-la parada perto da cama, completamente pálida e assustada.
Sem hesitar, aproximou-se dela.
— Helena.
Ele segurou suas mãos frias e trêmulas.
— Calma… eu estou aqui, está bem?
Ela tentou responder, mas não conseguiu.
Outro trovão ribombou e Helena fechou os olhos com força. Eduardo apertou delicadamente as mãos dela.
— Respira devagar. — disse em voz firme. — Vai passar.
Helena tremia involuntariamente.
As luzes voltaram de repente e Eduardo viu claramente o medo estampado no rosto dela. Os olhos arregalados e a respiração irregular. O corpo inteiro tensionado pelo pânico.
Sem pensar, ele a puxou para perto e a abraçou. Como se instintivamente quisesse protegê-la de tudo aquilo.
— Calma… — murmurou perto de seus cabelos. — Não vai acontecer nada.
Helena se agarrou a ele quase no mesmo instante. Os dedos prenderam-se na camisa dele enquanto escondia o rosto contra seu peito.
Aos poucos, sentindo o calor do corpo dele e os braços fortes ao seu redor, sua respiração começou lentamente a se estabilizar.
Eduardo permaneceu imóvel. Uma das mãos acariciava de leve os cabelos dela numa tentativa silenciosa de acalmá-la. E os dois ficaram assim por longos minutos.
Até que os trovões começaram a se afastar e a chuva diminuiu gradualmente e o vento perdeu força.
Só então Helena percebeu que ainda estava abraçada a Eduardo. Ela se afastou devagar, claramente constrangida.
— Desculpe… — disse baixinho, evitando encará-lo. — Eu perdi o controle.
Eduardo a observou por alguns segundos antes de responder:
— Está tudo bem.
A voz dele estava mais baixa e suave do que o normal.
— Ter medo não é vergonha. — fez uma breve pausa enquanto olhava para a chuva diminuindo do lado de fora. — E, sinceramente… não me lembro de ter visto uma tempestade assim antes.
Helena ergueu os olhos para ele. Por um instante, a frieza habitual de Eduardo parecia ter desaparecido completamente.
A tempestade mais violenta havia passado, os raios e trovões cessaram, mas a chuva continuava forte e constante do lado de fora, castigando o telhado e as janelas da chácara.
Helena ainda tentava recuperar completamente o controle da respiração quando vozes apressadas ecoaram pelo corredor.
Eduardo imediatamente voltou a atenção para a porta. Ele franziu levemente a testa.
— Vou ver o que aconteceu.
Helena assentiu em silêncio.
Eduardo se trocou rapidamente no banheiro e logo depois saiu do quarto, ela sentiu imediatamente o vazio deixado pela presença dele.
Ficou alguns segundos parada no mesmo lugar antes de voltar lentamente para a cama. Abraçou o travesseiro tentando se acalmar. Mas dormir parecia impossível.
As palavras frias que ouvira mais cedo… e agora a preocupação e o abraço dele durante a tempestade… Tudo se misturava de forma dolorosa dentro dela.
Helena fechou os olhos, mas a sensação dos braços fortes de Eduardo a envolvendo como se quisesse protegê-la ainda permanecia viva em cada parte de seu corpo.
*****
Do lado de fora, a chuva continuava caindo pesada e o tempo passou lentamente.
Quando a porta finalmente tornou a se abrir, quase uma hora depois, Helena ainda estava acordada.
Eduardo entrou no quarto com os cabelos úmidos e a camisa parcialmente molhada pela chuva.

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