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QUANDO TE PERDI romance Capítulo 57

A missa foi feita na mesma igreja em que meses antes Ivy entrou vestida como uma princesa a realizar seu sonho.

Após a missa a Família levou o vaso com as cinzas de Ivy para o jazigo e Flora colocou o vaso onde estava a placa com o nome e a foto de Ivy.

Estavam todos juntos para se despedir, menos Dante que ainda estava em hibernação. Já estava há quatro dias dormindo, sem previsão de acordar.

O mantiveram no mesmo lugar, no quarto que um dia já foi seu, antes de casar.

Todos os dias Flora e Arthur o banhavam e trocavam as suas roupas antes do médico trocar a sua alimentação intravenosa.

O celular de Dante foi desligado, não queriam ficar vendo as mensagens de Ellie que chegavam aos montes.

Na Itália, Ellie aproveitava a vida boa ao lado de Giovanni, uma vida de luxo, conforto e extravagância. Muito diferente da vida ao lado de Dante, que apesar de ter muito dinheiro, não tratava Ellie como sua prioridade.

Giovanni a tratava como sua rainha, com muitos presentes caros, jóias, carros e tudo o que ela pedia.

Mas apesar de ter tudo o que queria, Ellie ainda tentava contato com Dante, mas não tinha respostas de suas mensagens.

Três meses depois, em uma noite chuvosa e barulhenta, Dante acordou após um trovão. Assustado e suando, se levantou da cama, retirou a agulha de seu braço e andou devagar pelo quarto, tentando reconhecer onde estava.

Sua visão ainda estava turva e sua cabeça rodava, seus passos eram lentos e suas mãos apoiavam onde tocavam.

Devagar ele percebeu que estava na casa de seus pais.

Parou na frente da janela, ficou parado vendo o temporal do lado de fora, aos poucos sua memória foi voltando. A lembrança de Ivy dizendo que ele teria que viver com as consequências. O divórcio e a morte dela.

Todas as lembranças voltaram como um golpe que o atingiu em cheio, fazendo a falta de ar voltar.

Dante se apoiou na janela e começou a chorar, uma sensação de impotência o controlava, Ivy estava morta e ele não poderia fazer nada para trazer ela de volta.

Na manhã seguinte, Flora foi até o quarto do filho como fez nos últimos três meses e se assustou quando viu o filho de pé na sacada.

- Dante, você acordou meu filho!!

- Oi mãe, eu acordei.

- Que bom que acordou, estávamos aguardando por isso.

Dante se virou e abraçou sua mãe. Ela retribuiu o abraço de forma calorosa estreitando os braços.

- O que aconteceu comigo?

- Você dormiu, hibernou, depois que você assinou o divórcio.

- Quanto tempo eu dormi mãe?

- Três meses filho, você dormiu durante três meses.

- Meu corpo está fraco, perdi minhas formas, minha garganta dói conforme eu falo.

- Depois de tanto tempo sem falar, é normal isso acontecer, sua voz está rouca também.

Eles ficaram ali durante um tempo abraçados em silêncio. A chuva voltou a cair os fazendo entrar.

Flora o ajudou a descer a escada, devagar chegaram até a mesa de jantar onde a mesa estava posta para o café da manhã.

Arthur ao ver o filho de pé correu para abraçá-lo, sentindo um grande alívio por vê-lo acordado.

- Filho, que bom que acordou, vou avisar os seus irmãos e também vou avisar o médico.

Dante não disse nada, apenas acenou com a cabeça.

Acompanhou a mãe que o sentou na cadeira, tentou comer algumas frutas que sua mãe cortou, devagar foi mastigando, sentindo o gosto das frutas.

- A Ivy morreu, o advogado dela junto com a polícia e o consulado vieram em casa, além da morte, ela pediu o divórcio.

- Caramba quanta coisa, e seus pais? Ainda estão bravos com você?

- Um pouco, mas agora nada mais pode ser feito.

- Eu posso voltar? Estou com saudades…

- Ainda não é uma boa hora. Quando puder eu te aviso.

Dante se despediu de Ellie e desligou o telefone, de todos os problemas, ter Ellie por perto seria o pior de todos.

Decidiu que era hora de voltar para casa, retomar a rotina, retomar a sua vida.

Pegou tudo que era de Ivy, colocou no carro. Arthur não o deixou dirigir, o levou até em casa.

No caminho foram conversando, Arthur perguntava como o filho ficaria, se precisava de ajuda com alguma coisa, se realmente não queria ficar na casa dos pais.

Dante negou, ele queria ficar sozinho, pensar em tudo, absorver as informações, se reorganizar e trilhar um novo caminho de sua vida.

De forma sutil Arthur perguntou sobre Ellie, pois antes de desligar o telefone do filho, viu que ela ligava e mandava mensagens.

Dante respondeu ao pai que não estava disposto a encontrar Ellie agora, que tudo o que viveram foi bom, mas agora não sabia mais se queria continuar.

Depois de três meses desacordado, a vida estava menos alegre e colorida. A falta de Ivy começava a se fazer presente e começava a doer.

Em sua mente memórias se passavam como flashes de filmes. Trechos de sua adolescência, quando conheceu Ivy, as aulas de equitação onde ela tinha muito mais habilidade com os cavalos do que ele. As aulas de dança que ele odiava e sempre estava com ela como sua parceira.

Tudo que ele achou um dia que era chato e sem graça, agora era somente o que ele tinha para se agarrar. Sua vida estava se tornando sem sentido.

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