Dante sem ânimo nenhum apenas balançou a cabeça afirmando.
Os dois ficaram em silêncio por um tempo, lado a lado, sozinhos na sala que dava visão para todo o salão da boate.
- Que silêncio aqui, nem parece que lá embaixo tem tanta gente dançando. - disse ele olhando a grande janela a sua frente
- Sim, o isolamento é bom, queria um local privativo, mas que me desse a visão de tudo.
- E você já sabia que eu estava aqui?
- Quando chegou me avisaram.
- Provavelmente ela também sabia que eu estava aqui.
- Talvez, mas esse não é o problema.
- E qual é?
- Do mesmo jeito que você a tratava, ela vai te tratar agora. Não consegui muito para te ajudar, mas isso ela disse.
Dante apoiou a cabeça na mão, tampando os olhos, sem acreditar no que ouvia.
E então começou a rir da situação em que estava.
- Isso que ela não lembra de mim, imagina se lembrasse.
- Ela é geniosa, e isso não fui eu que ensinei.
- Ela sempre foi, mas ficava camuflado no fato de ela ser mimada. Agora ela só tem o instinto, puro e simples.
- E o que voce vai fazer agora?
- Vou continuar a tentar, uma hora ela vai me responder.
Dante se despediu de Giovanni e saiu, a boate ainda estava cheia e não tinha hora para fechar.
Devagar ele andava pelas ruas da cidade, sentindo o vento gelado bater em sua pele, perdido em seus pensamentos e lembranças.
Hope se mostrava mais atrevida e audaciosa do que ele imaginava, e isso estava o instigando ainda mais.
Sua caminhada lenta demorou quase uma hora e quando ele estava chegando na frente do hotel, viu o carro de Hope parado e ela estava dentro com outro rapaz, ela o beijou e ligou o carro, acelerando na partida e sumindo na noite.
Dante ficou paralizado com a imagem que viu, em seu peito sentiu uma angustia e um pesar. Hope estava agindo exatamente como ele agia quando estava com Ellie.
- Era assim que você se sentia quando via as fotos e o vídeo? Creio que até pior… está certa, como você mesmo falou, eu tenho que viver com as consequências de minhas escolhas.
Ele falava baixo, com a cabeça baixa, falava para si mesmo, quase inaudível, sem perceber as pessoas ao seu redor.
Quando subiu, viu que as camareiras estavam organizando a suíte de Hope, por curiosidade ele perguntou para uma das meninas que passava com lençóis nas mãos.
- Hope esteve aqui hoje?
- Sim senhor, ela veio com um rapaz, fizeram o que tinha que fazer e saíram. - a camareira dizia sem parar os afazeres com voz irônica.
- Ahh sim, com um rapaz?
- Sim, um loiro bonitinho - ela parou, olhou para ele, percebendo que falou demais, sorriu sem graça - o senhor precisa de alguma coisa na sua suíte?
- Não, está tudo certo. Obrigado.
Dante virou em seus calcanhares e andou até seu quarto no oposto do quarto de Hope.
Entrou já tirando a jaqueta que vestia, colocou o celular no criado mudo e sentou na cama.
O celular apitou com uma notificação de mensagem, ele pegou e se admirou de ser de Hope.
Uma pequena provocação da garota.
- É gostoso quando queremos algo e ele foge de nosso alcance né?
Junto a mensagem tinha uma carinha sorridente.
Dante pensou em responder, escreveu sério, apagou, escreveu outra provocação, apagou novamente. Por fim, desistiu de responder à garota.
Se soubesse onde ela morava, iria até seu apartamento, mas como uma raposa sorrateira, Hope nunca dizia ou mostrava onde era seu lar.
- Está bem, eu avisarei.
Dante desligou o celular e olhou pela janela. O dia estava bonito e ensolarado.
Da sacada dava para ver quase toda a cidade e as pessoas que iam e vinham.
O celular que ainda estava em sua mão piscava uma notificação.
Mais uma mensagem de Hope, agora apenas uma carinha com a mão no queixo pensando, seguido de duas interrogações.
Ela havia provocado ele e não teve respostas, então ele estaria pensando em suas ações?
Desta vez, ele respondeu.
- Nem sempre o que o corpo deseja é o que o coração quer. Aprendi da pior forma.
Ela não o respondeu e com o silêncio ele deixou o celular de lado.
Decidiu dar um passeio pela cidade, como sempre a pé. Preferia andar e olhar tudo ao seu redor.
Voltou ao anoitecer, pediu seu jantar no quarto e quando estava jantando, ouviu vozes no corredor.
Preferiu ignorar, mas depois que vieram recolher a bandeja de seu quarto, a curiosidade lhe exprimia os ossos.
Ele caminhou até o outro lado e colou o ouvido na porta.
Hope estava ali novamente, com outro homem, fazendo o que ele havia se recusado a fazer com ela.
Seu coração disparou ao ouvir os gemidos que vinham de dentro, seu sangue corria em suas veias e sua temperatura subiu subitamente.
A angústia e o nervoso de saber que outro homem a tocava do outro lado da porta o assombrava e dominava.
E por um impulso, ele bateu a porta.
Não um simples toque. Dante esmurrava a porta com urgência e violência.
Os gemidos pararam e minutos depois, o rapaz loiro abriu a porta apenas enrolado no lençol.

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