Quando a porta se abriu, Dante viu o rapaz loiro enrolado no lençol, com os cabelos bagunçados e um sorriso safado nos lábios.
Dante olhou para o rapaz de cima a baixo analisando tudo.
- Cadê a Hope?
- Quem é você?
- Eu perguntei cadê a Hope?
- E porque eu iria te responder? Quem é você cara?
Sem responder, Dante empurrou o rapaz retirando ele de sua frente, entrou no quarto olhando para os lados à procura da garota.
Roupas jogadas no chão, sapatos largados e muita bagunça.
Tudo isso só fazia sua ira crescer ainda mais.
- Hope! Cadê você?
O rapaz que estava atrás dele tentou para-lo. Ao segurar o braço de Dante, o rapaz disse aos berros.
- Qual é a tua cara? Não pode entrar no quarto dos outros assim.
Ao sentir a mão do rapaz segurar o seu braço, Dante não hesitou, deixou a raiva dominar, e desferiu um soco no belo rosto do rapaz.
Ele caiu no chão já com o nariz sangrando, e quando Dante ia dar o segundo soco, Hope apareceu gritando.
- Lorenzo, que barulho é esse? Meu Deus!
Ela segurou a mão de Dante o impedindo de agredir ainda mais o rapaz.
- Dante não! Pare agora.
Só então ele reparou na garota à sua frente. Hope estava também enrolada em um lençol, com seus cabelos soltos e bagunçados, carregava uma marca em seu pescoço.
Dante sentia seu coração bater tão forte que lhe causava uma leve falta de ar.
E olhando para a garota que agora tentava ajudar o rapaz caído no chão, Dante travou o maxilar e apertava as mãos em punho.
- Quem é ele Hope?
- Não importa quem é ele, você não tem o direito de fazer isso!
- Vou perguntar novamente, quem é ele?
A voz de Dante era baixa, controlada e sombria. Seu olhar carregava um aviso silencioso.
- Não te interessa quem é o Lorenzo, você não pode entrar em minha suíte e soca-lo deste jeito.
- Hope, quem é esse louco? O Giovanni sabe que tem um doido atrás de você? - o rapaz segurava o nariz que ainda sangrava, tentando se levantar devagar.
- Eu não sou doido, e você não deveria estar aqui. - Já de pé Dante olhou novamente com cara de escárnio para o loiro a sua frente - e sim, Giovanni me conhece.
- Eu digo quem deve entrar ou não na minha suíte Dante! - Hope respondia com a voz alterada.
- Mande ele embora, vamos conversar.
- Não vou mandar ele embora, você é a pessoa não convidada aqui. Quem deve sair é você, Dante.
Hope falava com voz altiva, encarando Dante, se aproximando dele sem medo.
Mesmo com a grande diferença de altura entre os dois, Hope não se intimidava, ao contrário, sua postura desafiava Dante.
Ela andou até a porta que já estava aberta e apontou para o corredor.
- Vai Dante, saia agora!
- Você tem certeza que quer que eu vá embora Hope? É isso que você quer?
- Sai!
Dante olhou pela última vez para o rapaz, e sem dizer nada, passou pela porta que foi fechada com um estrondo atrás dele.
- Não te devo satisfação Dante, você não é nada meu!
- Claro, agora não sou nada seu, mas bem que você queria não é? - seu olhar era desafiador e aguardava as respostas afiadas da garota.
- Não seja idiota, eu queria sexo, com você ou com outro, tanto faz.
Neste momento ele se lembrou da última briga que teve com Ivy, onde as mesmas palavras saíram da boca dele.
- Quer saber a verdade Dante? Você é um idiota, moralista, quadrado que acha que o mundo gira em torno de si. Tudo o que você aprontou para a sua esposa você merecia o dobro. Sabe o que mais? Que pena que ela morreu, por que você merecia era que ela encontrasse um homem bem gostoso que fizesse ela gritar na cama.
- Você está falando besteiras..
- Não, não estou, com esse seu temperamento ela deve ter sofrido demais ao seu lado. As coisas não podem ser somente como você quer, tem que respeitar a vontade dos outros também.
- Você acha que eu não sei? Você acha que eu não vi a dor nos olhos dela? Você acredita que tem sido fácil a minha vida? Você não sabe de nada!
- Então deveria ter agido diferente comigo, se você sabe como é ruim ser desprezado.
- Eu não queria agir com você igual aos outros homens, mas na verdade era exatamente assim que você queria que eu te tratasse.
- Você estava me afastando desde o primeiro dia, desde que eu te trouxe no aniversário do Gio. Você teve várias oportunidades, mas não, me afastou para depois dar um show e quebrar o nariz do Lorenzo.
- Eu tenho os meus motivos.
Hope riu da resposta de Dante, um riso amargo, e seu olhos estavam um pouco marejados.
- Claro que tem seus motivos, você sempre tem, porque afinal o mundo gira em torno de você não é?
Hope se afastou dele, chegando na porta, parou e sem olhar respondeu.
- Eu realmente queria você, mas não posso deixar as minhas vontades de lado para te agradar. Eu sou livre, e sempre serei assim.
Sem esperar respostas de Dante, ela abriu a porta do quarto e saiu. Mais uma vez ele estava sozinho, sem entender a passagem tempestuosa de Hope pelo seu quarto.
Mas agora ele tinha certeza absoluta que a verdade deveria ser dita e ela teria que saber do seu passado.

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