Naquela madrugada ele viajou.
Sem avisar a ninguém, embarcou de volta ao Brasil. Sua intenção era buscar provas do passado e provar a Hope que ela um dia foi Ivy e que eram um casal.
Ele sabia que tinha somente duas opções para a reação dela, ou aceitava suas desculpas e voltava para ele ou ignoraria e continuaria a sua vida.
Dante jurou a si mesmo que respeitaria a escolha dela.
A viagem foi longa e sua chegada foi no fim da tarde. Como combinado, Maura e Carlos estavam lá, lado a lado esperando Dante chegar.
Na sua chegada os três se abraçaram, depois de tantos anos, se tornaram quase uma família, já que os próprios Salvatore, após a morte de Ivy, isolaram Dante para não terem mais motivos de vergonha.
- Meu menino, que saudade de você! Deixa eu ver como está!
Maura olhou ele por completo, verificando se havia algo de errado.
Carlos sempre quieto, apenas ria da atitude de Maura.
- Eu estou bem, muito bem. E vocês dois como estão sem mim?
- Nada de novo, sem você aqui a Maura só fica rodando de um lado para o outro pensando em como você deve estar.
Os três riram das palavras de Carlos, que falava imitando Maura.
Juntos saíram do aeroporto e foram para o apartamento de Dante.
Durante o jantar, ele explicou para os dois a situação de Hope, de seu estado clínico, de sua vida e costumes.
- Ela é muito diferente do que foi um dia. Todo o pudor e medo que Ivy tinha, não existe em Hope. Ela não se lembra de absolutamente nada e nem de ninguém. E toda essa ousadia a deixa ainda mais bonita do que ela era.
- Mas ela não sente nada por você? - Maura perguntou apreensiva.
- Não consigo te responder sobre isso, me parece que ela tem um interesse, mas não acredito que seja nada sério. Giovanni me diz que ela sempre escolheu com quem dormia, mas eu supostamente fui escolhido e me recusei.
- Por que se recusou meu menino?
- Porque não queria começar assim, e também porque onde estávamos, outros também estiveram com ela.
Carlos que até então ouvia enquanto comia, também entrou na conversa.
- Como assim outros também? Ela tem um local para sexo? Tipo quarto vermelho?
- Hahaha não chega a ser um quarto vermelho, mas sim, ela tem uma suíte lá no hotel que ela leva os homens que quer transar. E infelizmente é de frente para o meu quarto.
- Caramba, nunca imaginei esta situação.
- E o pior é que antes de eu embarcar, ela foi lá para brigar comigo, porque eu estraguei o rosto do rapaz que ela transou.
- Meu Deus! Nunca imaginei minha menina deste jeito.
- Por isso eu peço para que vocês não tenham muitas esperanças, mesmo que eu conte a ela a verdade, não é garantido que ela volte para mim. Pensando bem, eu acredito que ela ficará ainda mais furiosa por tudo o que eu fiz.
Eles continuaram a conversar durante todo o jantar, estavam felizes juntos.
Dante se sentia confortável em seu apartamento. Não era grande e nem luxuoso.
Um apartamento de dois quartos, decoração simples, típico apartamento de solteiro, mas o único lugar que depois da morte de Ivy, conseguiu se sentir em paz.
Após o fim do jantar, Maura e Carlos se despediram e deixaram Dante sozinho.
Ele por sua vez tomou banho e começou a rever tudo o que tinha, catalogando, criando uma linha cronológica, fotos, cartas, recortes de jornal e revistas, certidões.
Desde que se conheceram até a notícia de sua morte. Tudo que poderia dar a Hope uma pequena lembrança de seu passado.
Dante olhava para as fotos, os sorrisos de Ivy e sua graciosidade eram enormes. Novamente ele sentiu seu coração diminuir e seu peito doer. Mesmo sabendo que ela está viva, ele ainda sentia a culpa por tudo o que aconteceu.
As lágrimas que já muito tempo não caiam, vieram neste momento como uma torrente.
Ele queria ela de volta. Sentia saudades de Ivy, que esteve ao seu lado desde sua adolescência. Mas sabia que mesmo que Hope o perdoasse, não teria ela para si.
Hope havia se tornado livre, e as grades de um casamento não lhe cabiam mais. E tudo o que ele poderia fazer agora era aceitar e agradecer por ela estar viva.
Entre lágrimas e fotos, Dante passou a noite em claro relembrando um passado que não voltaria mais. Um passado que agora só pertencia a ele.
Quando amanheceu, Maura e Carlos chegaram, tudo já estava organizado, em uma pasta de couro estava detalhado a vida do casal e Dante que tinha passado a noite em claro e chorando, apresentava para os funcionários uma cara péssima.

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