STELLA HARPER
UMA SEMANA DEPOIS
Faz sete dias desde que Damian voltou. Sete dias desde que o pesadelo da prisão terminou, só para dar lugar a outro: o de vê-lo se transformar em algo mais frio, mais tenso, mais obstinado. Tê-lo de volta foi uma alegria sem medida, um alívio tão grande que me fez chorar como uma criança quando ele entrou pela porta de casa. Mas aquela euforia durou pouco. Assim que soubemos que William estava preso em seu lugar. Confesso que fiquei bastante surpresa com a ação do senhor Winter, mas acho que é algo que a maioria dos pais fariam, não importa o quão afastados estejam dos filhos.
Estamos morando na mansão Winter desde então. Damian quis ficar aqui para dar suporte à mãe, já que Elaine se recusou a sair da mansão, mesmo depois da prisão do marido. E, de certa forma, eu entendo.
Entre os netos e as tarefas normais, Elaine se mantém de pé. Ela parece ter encontrado nos meninos, uma razão nova para respirar. Apollo e Orion correm por todos os cantos da casa, e até Danian, parece se divertir quando ela se junta a eles para fazer biscoitos ou pintar. Damian diz que o mais surpreendente em tudo isso, é que Lizzy assumiu o comando da empresa temporariamente para ajudar a familia. Mas ela chega em casa todos os dias reclamando que Damian deveria se apressar para resgatá-la daquele "inferno tedioso". Palavras dela, não minhas.
Minha recuperação está indo bem. O médico disse que meu braço ainda vai ficar engessado por mais três ou quatro semanas, e embora eu ainda sinta dor ao me mover, já consigo andar sozinha sem precisar de nenhuma ajuda. O abdômen dói menos, meu corpo está se ajustando.
Damian tem estado ocupado. Muito ocupado. Ele praticamente vive no escritório desde que decidiu investigar a fundo quem poderia estar por trás da armação, quando não está no escritório, está se encontrando com seus contatos suspeitos. A briga com Nathan, a morte, a tentativa de incriminar Damian, nada disso parece ter sido obra do acaso. E agora, ele está determinado a rastrear cada pessoa dentro da empresa que teve acesso às contas internas, além de seu pai.
Segundo ele, não são muitos. “Graças a Deus”, eu pensei, porque se fossem, talvez ele nunca mais dormisse.
A porta se abriu, interrompendo o silêncio. Damian entrou no quarto, sem o paletó, com as mangas da camisa arregaçadas e o rosto cansado.
— Finalmente — murmurei, com um pequeno sorriso. — Achei que ia passar a noite no escritório de novo.
Ele não respondeu. Apenas caminhou até a cama e, sem dizer uma palavra, deitou-se, apoiando a cabeça sobre minhas pernas. Suspirei e, com a mão livre, comecei a acariciar seus cabelos. Ele fechou os olhos, soltando um suspiro longo.
— Está tenso. — comentei, passando os dedos entre seus fios. — Como foi o dia?
— Exaustivo. — respondeu com a voz rouca. — Mas avancei.
— Avançou? — inclinei o corpo um pouco para tentar ver seu rosto. — O que descobriu?
Ele abriu os olhos, fixando o olhar no teto.
— Faltam poucos nomes agora. Reduzi a lista a dois suspeitos.
— Dois? — repeti, surpresa. — Isso é bom, não é?
— É um grande progresso — ele murmurou. — Tenho certeza que vou ter um caminho nos próximos dias.
Acariciei o cabelo dele mais devagar e sorri em apoio.
— Sei que vai. Então... qual dos dois parece mais provável?
— Os dois. — disse, com um meio sorriso irônico. — E, ao mesmo tempo, nenhum. Acho que seja qual for, é apenas o lacaio de alguém

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!