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Querido chefe, os gêmeos não são teus! romance Capítulo 171

DAMIAN WINTER

Os dias que se seguiram ao meu depoimento foram um teste de resistência. Cada manhã, vestíamos, nos sentavámos na mesma fileira, ouvíamos o que diziam e a mão de Stella constantemente na minha. A rotina era entorpecente. Mas em meio ao tédio processual, houve momentos de clareza.

O dia do testemunho de Stella foi um deles. Thorne, o tubarão, tentou devorá-la. Ele foi sórdido, insinuando que ela era uma interesseira que se aproveitou da minha vulnerabilidade após a morte de Sophie. Ele tentou torcer o amor dela por mim em uma ambição calculista.

Mas ele subestimou Stella. Ela não se alterou, não levantou a voz. Ela apenas falou a verdade. Quando Davies a questionou sobre o que sentiu quando Sophie a ameaçou e aos meninos, a voz dela não vacilou.

— Quando uma pessoa ameaça seus filhos, você não sente medo. Você sente uma fúria que faria o inferno parecer frio. Eu sabia do que aquela mulher era capaz, e eu faria qualquer coisa para proteger minha família.

Senti muito orgulho. O júri estava fascinado. O tubarão havia encontrado uma leoa.

O golpe final, no entanto, foi a gravação. Davies a anunciou. Quando minha voz e a de Célia preencheram o silêncio do tribunal, todo o rumo do julgamento mudou. Ouvir novamente, despido da adrenalina do momento, foi surreal. A arrogância na voz dela, a confissão fria, a encenação da ligação para o marido... e então, o som da arma destravando. E o disparo.

O som do tiro ecoou na sala, fazendo várias pessoas na galeria pularem em seus assentos. O silêncio que se seguiu foi absoluto. Vi um dos jurados, uma mulher de meia-idade, levar a mão à boca, com os olhos arregalados de horror. Thorne tentou argumentar que a gravação havia sido editada, manipulada, mas era um esforço patético. A verdade estava ali, nua e crua, para todos ouvirem. A narrativa dele sobre uma "mãe enlutada e aterrorizada" se desfez em pó.

Hoje era o dia final. O dia dos argumentos de encerramento. Thorne foi primeiro, em uma última e desesperada tentativa de pintar um quadro de vitimização. Ele gesticulou, com sua voz subindo e descendo em tons dramáticos, falando sobre a dor de uma mãe e o medo de uma mulher encurralada. Era uma performance, mas uma performance vazia. Sem a base da verdade, suas palavras eram apenas ruído.

Então, Sr. Davies se levantou e usou de fatos. Caminhou lentamente em frente ao júri, falando com convicção.

— O que vocês ouviram nesta sala nos últimos dias não é uma tragédia. Não é a história de uma mãe levada ao desespero. É a história de uma mulher consumida pela ganância e pelo ódio, que estava disposta a matar, mentir e destruir famílias para conseguir o que queria. A defesa quer que vocês ignorem as evidências. Querem que ignorem a gravação. Querem que ignorem a confissão. Eles querem que vocês acreditem em uma ficção, porque a realidade... — ele fez uma pausa, virando-se para apontar diretamente para Célia — ...a realidade é que Célia Pósitron é uma assassina a sangue frio. A escolha é de vocês. Fatos ou ficção? Justiça ou manipulação?

Quando ele terminou, o juiz deu suas instruções finais ao júri. E então, eles se retiraram para deliberar.

A espera foi a pior parte. A sala do tribunal foi esvaziada para o recesso, mas nós permanecemos em nosso lugar.

Uma hora se passou. Depois duas. Cada minuto se arrastava como uma eternidade. Finalmente, após quase três horas, o oficial de justiça entrou na sala.

— Eles chegaram a um veredito.

A sala do tribunal se encheu novamente. O júri entrou, os rostos inexpressivos, evitando nosso olhar. Era um mau sinal? Um bom sinal? Eu não fazia ideia.

Eles tomaram seus lugares e Célia foi trazida de volta.

— Por favor, levantem-se. — ordenou o oficial.

Ficamos todos de pé. O silêncio era tão profundo que eu podia ouvir o sangue pulsando em meus ouvidos.

— O júri chegou a um veredito unânime? — perguntou o juiz ao presidente do júri, um homem de aparência comum que de repente detinha o poder sobre nossas vidas.

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