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Querido chefe, os gêmeos não são teus! romance Capítulo 2

ELIZABETH WINTER

— Papai?

A vozinha sonolenta e confusa vinda da escada foi como um balde de água gelada. Congelamos. Alexander, que estava a milímetros de me dar o "beijo de verdade" que eu havia exigido, ficou rígido sobre mim. Meu aperto em seu pescoço afrouxou instintivamente, e minhas pernas, que o prendiam com uma força surpreendente, relaxaram. Droga. Péssimo timing.

Ele se afastou de mim como se tivesse levado um choque elétrico, levantando-se em um movimento rápido e desajeitado. Ele ajeitou a camisa amassada, passando a mão pelo cabelo.

— Orion? — ele chamou, a voz um pouco mais alta e trêmula do que o normal. — O que foi, campeão? Teve um pesadelo?

— Não consigo dormir. — a vozinha respondeu da escuridão do corredor.

Alexander lançou um olhar rápido para mim, um olhar que dizia claramente "não se mexa", antes de ir em direção às escadas.

— Tudo bem, tudo bem. Vamos voltar para a cama. Vou te contar uma história.

Ouvi seus passos subindo as escadas e o som suave de sua voz tentando acalmar o menino.

Rolei de costas no tapete, colocando o antebraço sobre os olhos. Primeiro, um gemido frustrado escapou dos meus lábios. Tão perto! Eu quase consegui. Quase senti o gosto da vitória, o gosto dele. Aquele selinho rápido tinha sido surpreendentemente... bom. E deixou um gosto de quero mais.

Mas então, uma risada baixa começou a borbulhar em meu peito. A situação era tão absurdamente ridícula.

Ele não ia descer de novo. Eu tinha certeza. Ele provavelmente estava agradecendo aos céus pela interrupção divina ou infantil.

Mas eu não era do tipo que desistia fácil. Ele me devia um beijo. E eu sempre cobro minhas dívidas.

Levantei-me do chão, ajeitando minha camiseta e sentindo os músculos protestarem por ter dormido no tapete. Olhei ao redor da sala silenciosa e escura. Esperar ali seria inútil e desconfortável. Havia uma solução muito mais proativa.

Subi as escadas silenciosamente. Eu podia ouvir a voz baixa de Alexander contando alguma história sobre ursos ou algo igualmente tedioso.

Continuei pelo corredor até o quarto de hóspedes que ele estava ocupando. Abri a porta com cuidado. Estava escuro, mas a luz da lua entrava pela janela, iluminando uma cama perfeitamente arrumada e uma mala aberta no canto. Cheirava a ele, um cheiro limpo e masculino que eu tinha sentido quando estava presa sob ele.

Entrei e fechei a porta suavemente atrás de mim. Encostei-me na parede no canto mais escuro do quarto, perto da janela, e esperei. Seria uma longa espera? Talvez. Mas eu era paciente quando queria algo. E eu queria aquele beijo. Queria sentir aquela faísca de novo.

Vinte minutos se passaram. Vinte minutos em pé, no escuro, ouvindo os sons noturnos da casa. Finalmente, ouvi passos no corredor e a maçaneta girou.

Alexander entrou no quarto, fechando a porta atrás de si sem acender a luz. Ele suspirou, um som longo e cansado, e começou a tirar a camisa. A luz da lua esculpiu os músculos de suas costas enquanto ele a jogava sobre uma cadeira. Ele passou as mãos pelo cabelo, parecia exausto, e se virou.

Foi quando ele me viu.

— O que você está fazendo aqui, Lizzy?

Saí das sombras, caminhando lentamente em sua direção, parando a poucos passos dele.

— Vim cobrar o que você me deve. — falei, a voz igualmente baixa, correspondendo a dele. — Tínhamos um acordo. Uma troca. E por influências exteriores - muito fofas, por sinal – eu te soltei antes de receber meu pagamento.

Ele passou a mão pelo rosto, a exasperação era clara mesmo na penumbra.

— Pelo amor de Deus... Nós não vamos fazer isso.

— Por quê? Eu só quero o que é meu por direito. Você prometeu.

— Eu não prometi nada! Você me coagiu!

— Detalhes técnicos. — dei de ombros. — Um acordo é um acordo.

— Não? — arqueei uma sobrancelha. — E como age uma mulher, na sua opinião? Que tal assim?

Coloquei minha outra mão em seu peito nu, sentindo o calor de sua pele e a batida forte de seu coração sob meus dedos. Fiquei na ponta dos pés e colei minha boca na dele.

Por um instante, ele ficou completamente imóvel, rígido como uma estátua. Seus lábios estavam fechados, resistentes. Mas eu não desisti. Aprofundei o beijo, minha língua traçando o contorno de sua boca, provocando e implorando por entrada. Senti um tremor percorrer seu corpo. Suas mãos, que estavam inertes ao lado do corpo, subiram hesitantes e pousaram em minha cintura, não para me afastar, mas para me segurar.

E então, ele cedeu.

Sua boca se abriu sob a minha, e o beijo se transformou. Sua língua encontrou a minha com uma fome reprimida que me pegou de surpresa. O beijo deixou de ser controlado e se tornou desesperado. Suas mãos apertaram minha cintura, puxando-me com força contra seu corpo. Eu podia sentir cada músculo tenso dele contra mim e o calor irradiando de sua pele.

Minhas mãos subiram por seu peito, meus dedos se embrenhando em seu cabelo macio na nuca, puxando-o para mais perto. O gosto dele era inebriante. Nossas respirações se tornaram ofegantes, nossos corpos pressionados um contra o outro no quarto escuro. Eu estava ganhando. Finalmente estamos indo a algum lugar.

O beijo continuou, tornando-se mais profundo, mais intenso. Senti suas mãos deslizarem pelas minhas costas, descendo até a curva da minha bunda, apertando-me com força, levantando-me ligeiramente para que meu corpo se encaixasse perfeitamente contra o dele.

E foi então que senti.

Contra a minha barriga, inconfundível, a prova física de que ele não era tão indiferente quanto queria parecer. Ele estava duro. Duro por mim.

Afastei meus lábios dos dele lentamente, embora nossas testas ainda estivessem coladas, nossas respirações ofegantes se misturavam. Olhei em seus olhos escuros, agora turvos de desejo. Um sorriso lento e vitorioso se espalhou por meu rosto.

— Parece que alguém aqui embaixo... — sussurrei, roçando meu quadril contra o dele deliberadamente, sentindo-o ficar ainda mais duro — ...consegue entender perfeitamente que eu sou uma mulher.

Vi a vergonha e a raiva lutarem em seu rosto. Ele se desvencilhou de mim abruptamente, dando um passo para trás. Ele passou a mão pela boca, como se quisesse apagar o gosto do nosso beijo.

— Você conseguiu o que queria. — Ele se virou, abriu a porta do quarto com um solavanco e a segurou aberta, o olhar fixo em algum ponto acima da minha cabeça, recusando-se a me encarar. — Saia.

Sorri com satisfação, e passei por ele, saindo do quarto. Mas a primeira vitória definitivamente era minha.

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