ALEXANDER HAMPTON
— ...eu acho que estou apaixonada por você, Alexander.
As palavras dela deixaram o ar rarefeito do meu escritório. Apaixonada? Por mim?
Eu a encarei, sentindo minha boca ligeiramente aberta, meu cérebro tentando desesperadamente encontrar algum sentido naquilo. Minha primeira reação foi ceticismo. Era outro joguinho. Tinha que ser. Uma escalada na sua campanha bizarra para me irritar ou me seduzir, ou ambos. Ela estava jogando a carta mais inesperada de todas.
Mas então... olhei em seus olhos. Ela sustentou meu olhar, e pela primeira vez desde que a conheci, não vi deboche ali. Não vi malícia. Vi algo que se parecia perigosamente com sinceridade.
E foi aí que a empatia me atingiu, traiçoeira e indesejada.
Eu sabia o que era aquilo. Eu conhecia a dor lancinante de amar alguém que não te ama de volta, ou que não pode te amar de volta. Eu vivi com essa dor por longos anos, observando Stella, amando-a em silêncio, sabendo que meu lugar era o de amigo, de irmão, nunca o de amante. Ver aquela sombra nos olhos de Lizzy, mesmo que fosse apenas uma atuação brilhante, tocou um nervo exposto.
Se fosse um jogo, era um bem cruel. Mas e se não fosse? E se essa garota tivesse de alguma forma desenvolvido sentimentos genuínos por mim? A ideia era tão absurda quanto assustadora. E me colocava em uma posição desconfortável. Eu não podia simplesmente rir na cara dela e não podia ser cruel ao rejeitá-la.
Respirei fundo, tentando organizar meus pensamentos, encontrar as palavras certas para desarmar aquela bomba emocional sem causar muitos danos colaterais.
— Lizzy... — comecei, a voz mais suave do que eu pretendia. — Eu... estou lisonjeado. De verdade. Mas... isso não pode acontecer.
— Por quê?
— Porque... — gaguejei por um momento, procurando a razão certa, a razão menos dolorosa. — Porque somos diferentes demais. Você já deve ter percebido que tipo de pessoa eu sou. Você é... você. Um espírito livre. Você precisa de alguém que te acompanhe e que entenda seu ritmo. Eu sou... pacifico. Eu gosto de ordem. Nós iríamos enlouquecer um ao outro em uma semana.
Era uma desculpa esfarrapada, e ambos sabíamos disso.
— É por causa da Stella?
Fechei os olhos por um instante. A honestidade dela era incrivel.
— Stella sempre será importante para mim. — admiti, reabrindo os olhos. — Mas isso não é sobre ela. É sobre nós. Ou a falta de "nós". E sim, Lizzy, você ainda é muito jovem. Não apenas na idade, embora isso seja um fator...
Ela revirou os olhos dramaticamente.
— Ah, lá vem o discurso do vovô de novo...
— É principalmente na forma de agir! — continuei, ignorando a interrupção, a frustração voltando à minha voz. — A maneira como você age... é como uma menina, você vive a vida como uma menina, sem resposabilidades ou propósitos. Você está procurando diversão, Lizzy. E eu não sou um brinquedo. Nossas personalidades são incompatíveis. Nossos objetivos de vida são incompatíveis. Isso nunca daria certo.
Ela riu. Uma risada curta e sem humor que me pegou desprevenido.
— Incompatíveis? — ela repetiu. Antes que eu pudesse responder, ela se moveu. Em um movimento fluido e rápido, ela sentou-se no meu colo, virada para mim, as pernas envolvendo minha cintura.
Meu corpo inteiro ficou tenso.
— Lizzy, saia.
Ela ignorou completamente. Colocou as mãos em meus ombros, inclinando-se até que nossos rostos estivessem a centímetros de distância novamente. Seus olhos castanhos me perscrutaram intensamente.
— Incompatíveis? — ela sussurrou, a voz rouca. — Então me diga, Alexander. Olhe nos meus olhos e me diga que você não sente nada quando eu estou perto. Me diga que aquele beijo não significou nada. Me diga que você não fica nem um pouquinho... curioso... se nós poderíamos dar certo.
Eu podia sentir o calor subindo pelo meu pescoço novamente. Ela estava perto demais. Íntima demais. E ela estava certa. Eu sentia algo.


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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!