ALEXANDER HAMPTON
O som do pneu do táxi cantando ao se afastar da calçada foi o que finalmente me tirou do transe. Fiquei ali, parado, no meio da calçada movimentada de São Francisco, sentindo-me como se tivesse sido atingido por um raio de alta voltagem.
Eu pisquei. O porteiro do "The Clift" estava me observando com um sorriso divertido.
"Lizzy."
Eu nem sabia o nome completo dela. Ela parecia um... desastre. Um desastre lindo e inacreditavelmente ousado. Ela não apenas me atropelou, me inspecionou como se eu fosse um item em promoção e, em seguida, me convidou para sair. E eu, um homem adulto de trinta e quatro anos, fiquei ali parado, enquanto ela ditava o que faríamos.
"Às 17 da tarde, Alexander. Tente não se atrasar."
Um sorriso incrédulo brotou em meus lábios. Eu balancei a cabeça, uma risada curta e perplexa escapando de mim. Ela era inacreditável.
Passei pelo porteiro, que me deu um aceno cúmplice.
— Tenha um bom dia, senhor.
— Você também. — murmurei, ainda meio atordoado.
O lobby estava calmo agora, minha mente estava repassando o encontro. Ela era, com toda a certeza, muito mais jovem do que eu. Não que eu fosse um ancião, mas ela com certeza estava na casa dos vinte, eu chutaria que ela tem uns vinte e cinco.
De qualquer forma, não é para isso que eu estava aqui. A abertura da primeira filial da Fox&Maple na Costa Oeste era razão pela qual eu estava operando com cafeína e quatro horas de sono nos últimos dias.
Me Joguei na cama e tirei os sapatos, sentindo meus pés latejarem.
Olhei para o relógio. 13:16.
Eu tinha planos. Precisava ligar para os fornecedores, verificar o estoque, responder a cem e-mails. Mas, mais do que tudo, eu precisava de comida e de algumas horas de sono.
Pedi serviço de quarto. Um club sandwich e uma coca-cola, o combustível de emergência de qualquer empresário. Enquanto esperava, verifiquei meu telefone. Sete chamadas perdidas da minha irmã, Leah.
Sorri. Isso era normal. Leah operava em um nível de ansiedade que fazia um beija-flor parecer sedado. Provavelmente era sobre a cor das novas cortinas dela ou uma crise existencial sobre qual sabor de sorvete comprar. Eu ligaria para ela mais tarde.
Quando a comida chegou, devorei-a sem nem sentir o gosto, meus olhos já pesando. Desliguei o som do meu celular, mas mantive o vibrar e me joguei na cama. Eu não ia programar um alarme. Eu ia apenas... apagar. Se eu dormisse e perdesse o "encontro" das cinco da tarde, que assim fosse. Seria o destino intervindo para me salvar de um provável desastre.
[...]
Acordei notando o quarto mergulhado na luz laranja e quente do fim da tarde. Sentei-me na cama, Me sentindo grogue e desorientado. Olhei para o relógio na mesa de cabeceira.
16:08.
Dormi por quase três horas e me sentia um pouco mais humano.
E então, lembrei.
17:00. O café. A garota. Lizzy.
A parte lógica gritou para que eu ignorasse. Era loucura. Eu nem a conhecia.
Mas outra parte... a parte responsável, lembrou que acima de tudo, eu era um cavalheiro. Eu não podia deixá-la esperando em um café. Seria rude. Embora ela tenha marcado por conta própria sem esperar minha resposta.
Meu plano se formou rapidamente. Eu tomaria um banho, me vestiria. Iria até lá pontualmente. Compraria um café para ela, explicaria educadamente que estava na cidade a negócios, que estava lisonjeado, mas que não estava procurando nada. Seria civilizado. Honrado. E então eu voltaria para o meu trabalho.
A água quente foi um choque bem-vindo, limpando as teias de aranha do meu cérebro. Enquanto a água escorria, eu ensaiava meu discurso para a tal Lizzy. "Olha, foi um prazer te conhecer, mas..."
Saí do chuveiro, enrolado em uma toalha. Eram 16:35. Eu tinha tempo. Peguei o celular. Vendo outra chamada perdida de Leah enquanto eu estava no banho.
Ok, agora eu estava preocupado.
Disquei o número dela. Ela atendeu no primeiro toque, mas não foi o "Alex!" alegre e agudo de sempre. Foi um soluço.


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!