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Querido chefe, os gêmeos não são teus! romance Capítulo 2

ALEXANDER HAMPTON

A luz do sol não batia, ela esfaqueava.

Meu crânio parecia conter um baterista de heavy metal praticando um solo. Gemi, virando o rosto contra o travesseiro, e o cheiro de uísque velho e autodepreciação subiu.

7:02 da manhã.

A batida na minha porta da frente soou novamente, então concluí que a primeira não foi minha imaginação.

Puxei a calça de moletom que estava no chão, esfregando o rosto, tentando parecer humano. Eu tropecei pelo corredor, com meu cérebro gritando, destranquei e abri a porta.

Ela estava lá. Elizabeth Winter. Em carne e osso.

Estava usando leggings pretas justas que pareciam feitas de seda líquida, um suéter de caxemira cor de aveia e seu cabelo estava preso em um coque bagunçado que, de alguma forma, parecia perfeitamente estilizado. Atrás dela, no corredor, estava sua pequena mala Rimowa.

Ela parecia fresca, descansada e cheirava a algo caro e cítrico.

Eu, em contraste, estava descalço, sem camisa, com cabelo de quem dormiu em um arbusto e um hálito que poderia matar plantas. Péssimo momento para revê-la.

— Lizzy.

Um sorriso lento e absolutamente predatório se espalhou por seus lábios. Ela não parecia surpresa em me ver naquele estado.

— Bom dia, Bordo.

Eu pisquei. Minha boca estava seca.

— ...O que você faz aqui?

Ela inclinou a cabeça, com o sorriso se alargando.

— É um pouco decepcionante que você não se lembre que praticamente me implorou para vir. Eu esperava... não sei, um tapete vermelho? Ou pelo menos um café pronto.

— Implorar? — minha voz era um coaxar. — Eu não...

E então, como uma avalanche, a ligação inteira voltou. Cada palavra humilhante e bêbada.

"Eu sou alto."

"Ombros."

"Bom de cama! Não, negócios!"

"Sim."

"Eu não vou me arrepender."

Eu fechei meus olhos com força.

— Ah, merda.

— Parece que ele lembrou. — ela disse, divertida.

Antes que eu pudesse formar uma frase, ela passou por mim, entrando no meu apartamento. O movimento fez seu cabelo balançar, e eu senti o cheiro de seu perfume. Ela rolou sua pequena mala pelo meu piso de madeira, o som das rodinhas ecoando no silêncio do apartamento.

Ela parou no meio da minha sala de estar, fazendo uma volta de 360 graus.

— Bonito. Onde fica a cozinha?

Eu ainda estava parado na porta, com minha mão na maçaneta, completamente perplexo. Eu fechei a porta lentamente.

— Eu... uh... ali. — apontei.

Ela foi direto para lá e começou a abrir meus armários. Meus armários.

— Deus, Alexander, onde você esconde o café? Isso aqui é... — ela puxou uma caixa. — Nespresso?

— O que você... Lizzy, você não pode simplesmente... entrar e... fazer café.

— Ahá. Aqui está. — ela puxou meu saco pessoal de grãos Fox&Maple de uma gaveta escura. Ela abriu e respirou fundo, fechando os olhos. — Muito melhor.

Ela despejou os grãos no meu moedor. O som resultante foi como um tiro de espingarda dentro do meu crânio latejante. Eu estremeci.

— Você me convidou, Alex. — ela disse por cima do barulho.

O sorriso predatório dela voltou, maldoso e satisfeito. A cafeteira terminou de gotejar.

— Ótimo. — ela murmurou. — Agora que acertamos a logística...

Ela se afastou do balcão e fechou a distância entre nós. Suas mãos subiram. Não para os meus ombros. Para o meu rosto. Seus polegares roçaram minha barba por fazer. Seus olhos examinaram meu rosto, e então baixaram para a minha boca.

Ela ia me beijar.

Ah, Deus. Não. Não agora. Minha boca. Meu hálito. Tem gosto de... um animal morto. Um animal morto que bebeu uma garrafa inteira de uísque. Eu não posso beijá-la com hálito de manhã.

No momento em que seus lábios se separaram, no momento em que ela começou a se inclinar, eu me afastei. Um recuo total, como se ela tivesse me dado um choque elétrico.

— Eu... não posso.

As mãos dela caíram. O sorriso dela não apenas desapareceu; ele congelou e quebrou.

— O quê?

Tentei encontrar uma desculpa que não fosse "meu hálito está nojento".

— Eu tenho que... — gaguejei, gesticulando descontroladamente. — Eu tenho que tomar banho. Eu... eu tenho que trabalhar. O café. Ben está me esperando. O leite de aveia. Essas coisas.

— Você está brincando comigo. — não foi uma pergunta.

— Não! Não é isso! É que eu... eu não posso agora.

— Você já está se arrependendo.

— Não! Lizzy, eu juro, eu não estou... — Ela se virou de costas para mim. — Lizzy...

— Tudo bem. — Sua resposta foi completamente falsa, enquanto abria meu armário de canecas. — Vá. Tome seu banho. Vá para o seu café. Vá checar seu leite de aveia. Ou seja lá que caralhos seja.

Ela pegou a minha caneca favorita e encheu-a com o café que ela fez.

— Eu vou me instalar no quarto de hóspedes. — ela disse, sem se virar. — Dessa vez não vou desistir tão fácil. Então não se preocupe. — Ela olhou para mim por cima da borda da caneca, com seus olhos frios. — Temos um acordo, afinal. Não se preocupe, Bordo. Eu não vou te morder. — Ela fez uma pausa e seu sorriso voltou. — Ainda.

Ah, essa raposinha astuta vai me enlouquecer.

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