ELIZABETH WINTER
Eu fechei a porta do quarto de hóspedes. Encostei-me na madeira, cruzei os braços e, contra toda a lógica, comecei a rir.
Não foi um risinho. Foi uma gargalhada genuína, vinda do fundo da barriga.
Ele me rejeitou.
Eu, Lizzy Winter, cancelei uma reunião, peguei um jato particular às três da manhã, cruzei o país movida por um telefonema bêbado e absolutamente patético, ofereci-me a ele de bandeja... E ele recuou.
"Eu tenho que... tomar banho. Eu... eu tenho que trabalhar. O café. Ben está me esperando. O leite de aveia. Essas coisas."
Ah, meu Deus. Ele ainda estava bêbado? Pelo jeito atrapalhado que estava falando, parecia.
Eu me afastei da porta, sentindo uma energia renovada que nenhuma quantidade de cafeína poderia fornecer. Eu estava no apartamento dele. Eu tinha uma chave, que peguei na tigela perto da porta. Ele tinha, essencialmente, me dado permissão para invadir sua vida. Então, dessa vez vou ficar até conseguir o que quero.
Passei as duas horas seguintes fazendo exatamente o que deveria fazer. Tomei um banho longo e quente no banheiro de hóspedes. Lavei a viagem de seis horas da minha pele. Desfiz minha mala pendurando cada peça no armário vazio.
Eu respondi a três e-mails urgentes de Penélope, minha pobre assistente, que agora estava, sem dúvida, lidando com a fúria do meu pai sobre a reunião cancelada. Enviei-lhe um bônus generoso pela "compensação de estresse".
Então, escolhi um jeans escuro de cintura alta. Botas de salto agulha pretas que faziam um barulho satisfatório em pisos de madeira. E uma blusa de seda, de um verde-esmeralda profundo. Era profissional demais para mim, mas eu deixei desabotoado um botão a mais do que o estritamente necessário.
Meu cabelo estava solto, caindo em ondas que pareciam casuais. Maquiagem leve, lábios brilhantes, e meu perfume Jo Malone favorito que cheirava a limão siciliano.
Peguei minha bolsa, peguei a chave reserva dele, e saí do apartamento.
O ar de São Francisco era fresco e limpo. O bairro dele, Pacific Heights, era revoltante de tão bonito. Casas vitorianas perfeitamente restauradas, Ferraris estacionadas nas ruas íngremes, e vistas deslumbrantes da baía.
O Fox&Maple ficava a apenas alguns quarteirões de distância. O nome ainda me fazia revirar os olhos, mas enquanto eu me aproximava, tive que admitir que o lugar era lindo. E estava lotado.
Era quase meio-dia e o lugar estava vibrando. Pessoas em laptops Mac caros, casais bonitos compartilhando doces que pareciam ter saído de uma revista, e o cheiro... o cheiro era divino.
Droga. Ele era realmente bom nisso.
Isso, inesperadamente, me excitou. Alexander era um mestre do café, como seu eu bêbado tinha se gabado. Ele construiu isso. Ele era competente.
Eu escaneei o local. Sem Alex. Havia uma equipe movimentada de quatro pessoas atrás do balcão branco, todos em aventais brancos idênticos, movendo-se com uma eficiência impressionante.
E então, eu vi a garotinha do cabelo rosa desbotado. Ela estava limpando furiosamente o balcão, com sua expressão azeda, como se estivesse com raiva do pano.
Seu crachá, preso torto no avental, dizia em letras claras: MAYA.
Eu deslizei pela multidão, encontrando um espaço vazio bem na frente dela. Ela não olhou para cima imediatamente, continuando a atacar um ponto inexistente no balcão.
— Com licença. — chamei com minha voz doce como mel, mas alta o suficiente para cortar o zunido da máquina de café expresso.
Maya olhou para cima, uma saudação falsa e ensaiada de barista morrendo em seus lábios. Seus olhos se arregalaram. A cor sumiu de seu rosto, e então voltou com força total, um vermelho raivoso e manchado. Ela me reconheceu. Oh, ela definitivamente me reconheceu.
— O que você quer? — ela cuspiu, embora eu tenha certeza que ela foi treinada para dizer: "Posso ajudar?".


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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!