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Querido chefe, os gêmeos não são teus! romance Capítulo 2

ALEXANDER HAMPTON

Esse é um daqueles dias que vai demorar a acabar.

Minha ressaca latejava. Meu café estava lotado e barulhento. E minha ex-barista favorita estava prestes a ser demitida.

— Sr... Sr. Hampton... eu... eu não vi o senhor...

— Obviamente. Maya. Meu escritório. Agora. — Ela não se moveu. Parecia paralisada. — Agora, Maya!

Ela estremeceu, largou o pano de limpeza no balcão e, com as costas rígidas, marchou em direção ao corredor.

Eu me virei para a fonte de toda essa energia ao meu redor. Lizzy ainda estava sorrindo para mim.

— Elizabeth. Me dê um minuto.

Ela descruzou os braços e apoiou os cotovelos no balcão, inclinando-se para frente como se estivéssemos em um bar de coquetéis.

— Claro. — ela murmurou, a voz baixa e divertida. — Eu espero. Vim te chamar para comer, então vou pensar no que quero para o almoço.

Dei as costas para ela e segui Maya até o cubículo que eu chamava de escritório. Entrei e fechei a porta.

Maya estava parada no meio da sala minúscula, torcendo as mãos. Ela já estava chorando.

— Sr. Hampton, eu juro, eu não quis dizer...

— Sente-se. — eu disse, apontando para a única cadeira de metal dobrável que eu tinha. Ela não se sentou. — Maya. Esta não é a primeira vez.

Seus olhos marejados se arregalaram.

— O quê?

— Na semana passada. Quando você me tocou no corredor. Quando você fez comentários inadequados sobre "aliviar minha tensão". Eu deixei passar como um entusiasmo mal orientado.

— Eu só estava sendo legal! — ela choramingou.

— Não. Você estava sendo inadequada. — eu disse, cortando-a. — Relevei a situação porque você é jovem. Mas isso, lá fora? Isso foi um nível totalmente diferente. Você mentiu para uma cliente sobre mim. Você inventou histórias sobre meu comportamento pessoal para... o quê?

— Ela... ela é uma vadia! — Maya explodiu, o medo se transformando em raiva. — Ela entrou aqui na semana passada como se fosse a dona, e agora ela volta e você... você olha com interesse para ela! E eu... eu só queria que ela fosse embora!

— Não é seu trabalho decidir quem são meus clientes. E certamente não é seu trabalho decidir em quem posso ter interesse. — Eu me aproximei da minha mesa improvisada, mas não me sentei. Eu não queria que isso fosse uma conversa. — Você não apenas representou mal a mim, você representou mal esta empresa. Eu não posso ter alguém na minha linha de frente que diria para os clientes que faço coisas inapropriadas, por causa de um ciúme pessoal.

— Ciúme? Eu não...

— Eu estou te demitindo, Maya.

As lágrimas dela pararam. Seu rosto ficou pálido novamente, e então se transformou em algo feio.

— Você não pode. — ela sussurrou.

— Eu posso. E estou. Seu comportamento foi grosseiramente antiprofissional. Você receberá o pagamento desta semana e seu pagamento de rescisão. Quero seu avental e seu crachá na minha mesa.

— Você está me demitindo... por causa dela? — sua voz era um silvo irritante para a minha cabeça. — Aquela mulher entra aqui e em menos de cinco minutos eu estou na rua?

— Eu estou te demitindo por sua causa. — corrigi, sentindo minha paciência se esgotar. — Por causa de suas ações, suas mentiras e sua total falta de profissionalismo. Agora, me dê o avental.

Ela me encarou, com os olhos cheios de um ódio que me pegou de surpresa. Lentamente, ela puxou o laço do avental, seus movimentos bruscos e cheios de raiva. Ela o jogou na minha mesa, arrancou o crachá e o jogou em cima do avental.

— Tudo bem. — suspirei, rendido. — Almoço. Mas eu escolho o lugar e tem que ser algo rápido.

Ela riu, um som genuíno que fez algumas cabeças virarem.

— Não. Eu escolho. Eu sou a convidada que atravessou o país. E você me deve isso.

— Eu te devo?

— Claro. Tenho sido muito compassiva com você.— ela pegou a bolsa. — Você tem um carro, certo? Ou você espera que eu ande nesses saltos?

Eu apertei meus lábios.

— Eu tenho um carro alugado. Onde?

Ela fingiu pensar por um momento.

— Humm. Estou com vontade de algo bom. Algo caro. Algo... Spruce.

Eu gemi internamente. Spruce. Claro. Não era do outro lado da rua. Era do outro lado da cidade.

— Spruce. — repeti, derrotado.

— Ótimo! — ela sorriu, radiante. — Vamos. Meu lindo motorista particular é impaciente.

Ela deu uma piscadela para mim e começou a andar em direção à porta. Levei um segundo para processar. Meu lindo motorista. Ah, eu era o motorista.

Eu sinalizei para Ben, que estava me observando com olhos arregalados do outro lado da sala. Gesticulei que estava saindo para o almoço e segui a tempestade de seda verde e perfume cítrico para fora do meu café.

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