ALEXANDER HAMPTON
O Audi A6 alugado parecia um forno. O sol de São Francisco batia no couro preto e o trajeto de vinte minutos foi feito em um silêncio tenso.
Eu estava tentando me concentrar na estrada, nas curvas insanas da rua ou em qualquer coisa que não fosse o cheiro dela. Aquele perfume estava enchendo o espaço confinado do carro, e estava me deixando tonto, ou talvez fosse a ressaca.
Ela, por sua vez, estava perfeitamente relaxada no banco do passageiro, olhando pela janela, fazendo pequenos comentários.
— É tão limpo aqui. — ela murmurou. — As casas parecem de bonecas e ninguém tem um gramado morto. É meio assustador.
Eu apenas murmurei em resposta.
Eu finalmente estacionei em uma vaga na rua em frente ao Spruce. A fachada de tijolos era elegante e discreta.
Desliguei o motor e o súbito silêncio foi ensurdecedor. O único som era minha própria respiração.
Eu estava pronto para sair e soltei meu cinto de segurança.
— Vamos.
Eu me virei para ela. Ela não tinha se movido. Ela nem tinha pego a bolsa. Ela estava apenas me observando. Aquele pequeno sorriso malicioso estava de volta.
— Sabe, Alex... — ela disse, sua voz baixa e suave. — Você está me devendo uma outra coisa.
Eu parei com a mão na maçaneta.
— Devendo o quê?
— Beijo. — ela disse, simplesmente.
— Eu não sei do que você está falando.
— Sabe sim. — ela sussurrou. — Você me rejeitou esta manhã, portanto eu quero que você tome a iniciativa do próximo beijo.
— Eu não rejeitei você! Eu... — parei, sem saber como terminar.
— Eu não vou fazer nenhuma nova tentativa de te beijar, até que você faça primeiro. Não importa quanto tempo demore. Então, se sua vontade é não me beijar nunca mais, então que assim...
Em um movimento rápido e furioso, eu me lancei através do console central. O câmbio automático cutucou minhas costelas, mas eu não me importei.
— Ah, merda...
Ela riu, um som baixo e sem fôlego que fez seus lábios se moverem contra os meus.
Lizzy se afastou o suficiente para me olhar nos olhos. Seus lábios estavam vermelhos, inchados e manchados de batom. Seus olhos estavam escuros de desejo. O sorriso presunçoso estava de volta, mas desta vez, não era zombeteiro. Era satisfeito.
Ela lentamente lambeu o lábio inferior.
— Bom. — ela sussurrou, sua voz rouca. — Agora que isso está resolvido... estou morrendo de fome.
Ela se virou, pegou a bolsa no chão do carro, abriu a porta e saiu para a calçada ensolarada, endireitando a blusa como se nada tivesse acontecido.
Meu coração batia como um tambor, completamente destruído.
Ela olhou para mim pela janela aberta.
— Você vem, Bordo? Ou vai ficar aí admirando o câmbio?

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!