ALEXANDER HAMPTON
O almoço no Spruce estava se tornando a hora mais longa e torturante da minha vida.
O beijo no carro tinha quebrado alguma coisa em mim. Tinha curto-circuitado meu sistema operacional. Agora, eu estava dolorosamente consciente de tudo.
O jeito que o lábio inferior dela ainda estava ligeiramente inchado. A maneira como ela me observava por cima da taça de vinho, com aqueles olhos satisfeitos e sorriso convencido.
Lizzy, é claro, estava em seu habitat. Ela pediu um vinho Chablis que custava mais que meu primeiro carro, e fez parecer que estava pedindo água da casa. Ela riu, contou histórias sobre Milão e fez o garçom corar. Eu mal conseguia formar uma frase.
— Você está muito quieto, Alex. — ela murmurou, depois que o garçom saiu.
— Estou pensando. — menti.
— Não pense. — ela aconselhou, tomando um gole. — Você pensa demais. É por isso que você tem rugas aqui. — ela apontou para a própria testa.
Eu não tinha rugas na testa. Eu acho.
O pior foi depois. Eu insisti que precisava voltar ao trabalho. Ela sorriu e disse: "Ótimo. Eu também vou."
Eu tentei argumentar. Tentei dizer que ela ficaria entediada. Ela apenas arqueou uma sobrancelha e disse: "Não tenho nada para fazer na cidade, Alexander. Ficar no seu apartamento seria mais chato e minha amiga está trabalhando. Não tenho nada melhor para fazer do que assistir você trabalhar.
Então, ela voltou para o Fox&Maple comigo. E ficou. A tarde inteira.
Ela encontrou o lugar mais confortável no canto mais visível do café, tirou aqueles saltos que faziam um barulho assustador, dobrou as pernas sob si e ficou lá. Lendo uma revista, depois digitando em seu celular, e principalmente... me observando.
Foi mais uma tortura.
Eu não conseguia me concentrar. Eu podia senti-la me olhando. Cada vez que eu dava uma instrução a Ben, eu sentia o olhar dela nas minhas costas. Ela era um lindo buraco negro no canto da minha cafeteria, sugando toda a minha atenção para si.
Ela pediu três bebidas diferentes. Reclamou que o primeiro macchiato estava "um pouco amargo" e me deu uma piscadela que fez meu sangue ferver.
Quando o relógio finalmente marcou seis da tarde, eu praticamente corri para fechar a caixa registradora.
— Cansado, Hampton? — ela perguntou, enquanto eu a acompanhava para fora.
— Vamos para casa. — murmurei.
A viagem de volta ao apartamento foi em um silêncio ainda mais tenso. Assim que fechei a porta do apartamento, o silêncio pareceu amplificar. Ela suspirou, um som longo e satisfeito, e se espreguiçou como um gato.
— Meu Deus. Estou exausta de tanto assistir você trabalhar.
— Eu tenho... trabalho. — gaguejei, já me afastando dela. — E-mails. Relatórios de vendas. Enfim, vou estar no escritório, tente não me incomodar.
A mentira soou fraca até para os meus próprios ouvidos. Eu não me importava.
Eu marchei para o pequeno escritório que tinha montado no segundo quarto e fechei a porta. Eu me sentei na minha cadeira. Abri meu laptop. Olhei para uma planilha. Os números nadavam.
Eu li a mesma linha de projeção de vendas de grãos do Quênia quatro vezes e nnão absorvi nada.
Então, a música começou.
Não foi alta. Era um jazz lounge sedutor, com uma batida suave e um saxofone preguiçoso que parecia vibrar diretamente na minha coluna.
E era totalmente, completamente, irritante.
Eu tentei ignorar. Coloquei meus fones de ouvido. Mas eu podia sentir a vibração do baixo através do chão. Tentei me concentrar por mais uma hora. A música continuou. Então, algo mais se infiltrou. Algo muito mais potente.


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!