LEAH HAMPTON
Duas semanas. Esse foi o tempo que levamos para transformar a casa de Greenwich de um canteiro de obras cheio de caixas de papelão em algo que finalmente parecia um lar.
Ainda havia algumas caixas na garagem e a sala de jantar precisava de cortinas, mas o essencial estava pronto. E o essencial, para nós, era o sorriso de Mark.
Estávamos no corredor do segundo andar. Markus estava agachado atrás de Mark, ajustando uma venda de tecido macio sobre os olhos do nosso filho. Mark vibrava de ansiedade e os pezinhos batiam no chão.
— Pai, já chegamos? Eu tô sentindo cheiro de tinta! — Mark disse, rindo e tentando levar a mão à venda.
— Sem espiar. — Markus segurou as mãos dele gentilmente. — Se você espiar, a mágica não acontece.
Olhei para Markus e trocamos um sorriso cúmplice.
— Estamos prontos, querida? — Markus perguntou, piscando para mim.
— Estamos prontos. — Confirmei, abrindo a porta do quarto que tínhamos pintado juntos.
Markus guiou Mark para dentro do cômodo. O sol da tarde entrava pelas janelas grandes, iluminando as paredes da cor "Azul Infinito". Não estava profissionalmente perfeito, havia algumas manchas ligeiramente mais escuras onde passamos o rolo duas vezes e uma pequena falha perto do rodapé. Mas era lindo. Era nosso.
— Pode tirar. — Markus sussurrou no ouvido dele.
Mark puxou a venda.
Ele piscou algumas vezes, ajustando a visão à claridade. Então, os olhos dele se arregalaram. Ele girou devagar, absorvendo tudo. A cama em formato de carro de corrida, a estante cheia de Legos organizados, e as paredes azuis cobertas com pôsteres dos Vingadores que colamos estrategicamente para cobrir nossas imperfeições de pintura.
— Uau... — Mark soltou o ar. — É tudo demais!
— Gostou?
Mark correu até a parede e passou a mão nela, como se quisesse ter certeza de que era real.
— Gostei muito! E tem espaço para montar a cidade inteira de Lego no chão!
— E o melhor... — Markus caminhou até ele. — Fomos nós que pintamos. Eu e a sua mãe.
Mark olhou para nós, impressionado.
— Vocês? Mas o pai não sabe pintar nada. Nem casinho no papel.
Ri alto, enquanto Markus fazia uma careta fingida de ofensa.
— Grama! — Mark gritou. — Grama de verdade! Igual a casa da tia Stella!
Ele não esperou. Tirou os tênis ali mesmo e correu descalço para o quintal. Mark se jogou na grama, rolando como um cachorrinho feliz, rindo para o céu.
— Olha, pai! Dá para correr muito rápido!
— Ele nunca poderia fazer isso em um apartamento. — Markus comentou, passando o braço pelos meus ombros.
— Não. — Concordei, encostando a cabeça no braço dele. — Aqui ele pode ser criança.
Mark se levantou, sacudindo a grama da roupa, e correu até as traves de futebol. Havia uma bola estrategicamente posicionada no centro do campo.
— Pai! Vem ser o goleiro! — Ele gritou, acenando.
— Estou indo! Mas prepara o chute, porque eu não vou deixar passar nada! — Markus gritou de volta, correndo para o gramado.
Fiquei na varanda, observando os dois homens da minha vida. Markus tirou os sapatos e assumiu a posição no gol, fazendo caretas para desafiar Mark. Mark chutou a bola com toda a força de seus cinco anos, errando o gol por metros, mas rindo tanto que caiu sentado.
Respirei fundo, sentindo o ar puro encher meus pulmões. Isso sim era vida.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!