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Querido chefe, os gêmeos não são teus! romance Capítulo 3

LEAH HAMPTON

UM ANO DEPOIS...

O sol da manhã batia no vidro do para-brisa do meu carro, iluminando o perfil do meu marido no banco do passageiro. Markus estava distraído, digitando algo no celular.

Olhei para ele e sorri. Um ano. Fazia um ano que a nossa vida tinha entrado nos trilhos de uma rotina deliciosamente imperfeita.

Parei o carro na entrada privativa do hospital.

— Chegamos, chefe. — Anunciei, puxando o freio de mão.

Markus levantou a cabeça, guardando o celular no bolso do paletó. Ele se inclinou na minha direção e sua mão pousou na minha coxa.

— Tem certeza de que não quer subir? — Ele perguntou com aquele meio sorriso sedutor brincando nos lábios. — Posso te dar uma consultoria privada na minha sala.

Ri, dando um tapa na mão dele.

— Tentador, Sr. Blackwood. Mas hoje é minha folga. E você sabe que se eu pisar naquele andar, o Dr. Aris vai tentar me arrastar para alguma cirurgia de emergência ou me fazer assinar papéis.

— É o preço de ser a melhor cirurgiã do país.

— A "melhor cirurgiã do país" vai tomar café da manhã com as amigas. — Ajeitei a gravata dele. — A Stella e a Lizzy estão ocupadas com organização do aniversário dos gêmeos e precisam da minha opinião sensata.

Markus me puxou pela nuca e me beijou.

— Divirta-se. Te vejo no jantar?

— Com certeza.

— Mal posso esperar.

Ele desceu do carro, acenando para mim antes de entrar pelas portas giratórias.

Suspirei, feliz, e coloquei o carro em movimento. O plano era simples: dirigir até o centro, encontrar as meninas, tomar mimosas e discutir temas de festa infantil.

Meu celular tocou pelo sistema de som do carro. Olhei para o painel.

ESCOLA ST. JUDE - SECRETARIA

Faz poucos meses que Mark começou a estudar mas era um aluno exemplar, quieto e estudioso. Se a escola estava ligando às nove da manhã, algo estava errado.

Atendi imediatamente.

— Alô?

— Sra. Blackwood, bom dia. Aqui é a Sra. Pringle, a diretora.

— Aconteceu alguma coisa com o Mark?

— Houve um... incidente no recreio. Uma altercação física com outro aluno.

— Uma briga? — Franzi a testa, incrédula. Mark não brigava.

— Mark empurrou um colega e houve troca de agressões. O Mark está na enfermaria com um corte no lábio e...

Não esperei ela terminar a frase.

— Estou indo aí.

Desliguei o telefone e fiz um retorno proibido no meio da avenida, ignorando as buzinas, e acelerei em direção à escola.

Mark brigando. Aquilo não fazia sentido.

Mandei uma mensagem de voz rápida para o grupo das meninas: "Emergência com o Mark na escola. Café cancelado. Desculpe."

Cheguei à escola em tempo recorde. Estacionei de qualquer jeito na vaga de visitantes e corri para a entrada. A recepcionista mal teve tempo de me anunciar antes que eu entrasse na sala da diretoria.

Mark estava sentado numa cadeira num canto, segurando um saco de gelo no lábio. O uniforme estava sujo de terra, e ele parecia assustado. Do outro lado da sala, um garoto maior estava sentado ao lado de uma mulher loira, que gesticulava furiosamente para a diretora.

— Mark!

Corri até ele, ignorando todos os outros. Ajoelhei na frente dele e afastei o gelo com cuidado. O lábio inferior estava inchado e cortado, e havia um arranhão na bochecha dele.

— Sra. Pringle, se o Mark for suspenso por se defender de abuso verbal, eu vou tirar ele dessa escola hoje mesmo. E garanto a você que a doação anual generosa da Fundação Blackwood vai sair com ele. Além disso, vou acionar o conselho escolar para rever a política de "tolerância zero" que pune a vítima que reage.

A diretora empalideceu. A Fundação Blackwood pagava pela nova biblioteca e pelo laboratório de ciências.

— Sra. Blackwood, vamos ter calma. — Ela gaguejou. — Talvez... eu não tenha apurado todos os fatos. Provocação verbal desse nível também é contra as regras.

— Ótimo. — Peguei a mochila do Mark. — Eu vou levar meu filho para casa agora, porque ele está ferido e ambos estamos chateados. Espero um pedido de desculpas formal do Mike e da mãe dele por escrito até amanhã. Caso contrário, meus advogados entram em contato.

Estendi a mão para Mark.

— Vamos, filho.

Mark pegou minha mão, olhando para mim como se eu fosse a Mulher-Maravilha.

— E você... — Olhei para a mulher loira uma última vez. — Se eu souber que o nome da minha família saiu da boca do seu filho ou da sua de novo, a conversa não vai ser na diretoria. Vai ser no tribunal. Entendeu?

Não esperei resposta e sai da sala.

Entramos no carro. Liguei o motor, mas não saí do lugar.

— Mãe? — Mark chamou baixinho.

— Oi, amor.

— Desculpa ter brigado. O papai vai ficar bravo?

— Não, o papai não vai ficar bravo. — Acariciei o rosto dele. — Mark, bater não é a solução, tá? Mas... você foi muito corajoso.

Ele sorriu, banguela e machucado.

— Vou pensar em advogados da próxima. — Não segurei o riso e o puxei para um abraço desajeitado sobre o console do carro.

— Você é meu filho mesmo. — Elogiei, bagunçando o cabelo dele. — Muito bem, use nossos advogados sempre que necessário e o poder do dinheiro também.

— Pode deixar, mamãe!

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