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Querido chefe, os gêmeos não são teus! romance Capítulo 94

DAMIAN WINTER

Ela disse aquilo com tanta calma que, por um instante, eu pensei ter entendido errado.

— O quê? — perguntei, endireitando a postura. — O que quer dizer com “dar um tempo”, Stella?

Ela desviou o olhar, respirando fundo antes de me encarar de novo.

— A Elaine acha que… talvez seja melhor esperarmos até o divórcio estar resolvido. Para evitar problemas com a Sophie, a guarda do Danian, a imprensa… — a voz dela fraquejou um pouco. — Talvez seja mesmo o mais sensato.

Uma tensão quente subiu pelo meu pescoço. Meu coração começou a bater mais rápido, de pura recusa.

— Você disse a ela que não vai fazer isso, certo? — perguntei, tentando não parecer ansioso pela resposta.

Ela hesitou.

— Eu… não sei, Damian. Talvez a sua mãe esteja certa. Esperar alguns meses pode evitar muitas dores de cabeça.

Não. De jeito nenhum.

Cruzei o espaço entre nós em dois passos. Segurei o rosto dela entre as mãos, obrigando-a a me olhar.

— Stella, olha pra mim. Eu não vou aguentar tantos meses longe de você. Não vou.

Ela piscou, surpresa com a intensidade que eu mesmo sentia escapar.

— Você aguentou seis anos, Damian — retrucou, com um fio de firmeza. — Alguns meses não vão nos matar.

Inclinei o rosto, aproximando-me ainda mais, sem soltar o queixo delicado entre os dedos.

— Podem me matar, sim. — respondi sem hesitar. — Você não entende… sem os seus beijos, suas carícias, seu corpo quente no meu, o seu sorriso, a sua voz, o seu olhar, o seu cheiro, a sua risada, a maneira como você anda, como mexe no cabelo, como fala meu nome… — a lista saía quase sem controle, cada palavra mais verdadeira do que a anterior. — Sem tudo isso, Stella, será sufocante, como se me faltasse oxigênio.

Ela levantou a mão devagar, pousando-a sobre meu rosto. O toque suave acalmou a urgência que eu sentia. Seus dedos deslizaram até minha nuca, e por um instante eu só consegui fechar os olhos, apreciando aquele carinho repentino.

— Eu te amo, Damian. — disse, de repente, me arrancando um sorriso. — Também vai ser sufocante para mim. Você acha que é fácil? Não é. Mas… é o jeito certo de resolver as coisas.

Eu abri os olhos, procurando qualquer vacilo no olhar dela, qualquer abertura que me permitisse contestar. Mas o que vi foi determinação misturada ao carinho. Ela estava mesmo disposta a ir em frente com isso?

— A gente ainda pode… — ela respirou fundo, como se tentasse segurar as lágrimas. — Podemos marcar lugares para você encontrar os meninos. Ou você pode levá-los para sua casa às vezes. — Meu aperto em seu rosto afrouxou quando ela se desvencilhou delicadamente, afastando minhas mãos. O vazio imediato me fez estremecer. — Mas… — continuou, erguendo o queixo com uma coragem que me irritava e, ao mesmo tempo, me fazia admirá-la. — Essa será a última noite que a gente dorme junto até o seu divórcio sair.

Eu dei um passo à frente, incapaz de aceitar.

— Você gostaria de… tomar banho comigo? — perguntou, num sussurro ofegante.

Olhei para ela, tentando gravar a pele iluminada pela luz suave do abajur, o cabelo caindo sobre os ombros, o traço decidido do queixo, tudo naquela pessoa me fascinava tanto quanto me enlouquecia.

— Você sabe que está me matando, não sabe? — murmurei, passando o polegar pela linha do seu maxilar. — Está me pedindo para te tocar, para ter você nos meus braços… sabendo que amanhã vai me mandar embora.

— Eu sei. — ela admitiu, com um brilho de tristeza no olhar. — Mas hoje eu sou sua.

As palavras dela foram um golpe e um bálsamo ao mesmo tempo. Eu a puxei para mais perto, meus dedos se enterrando em seu cabelo. Beijei-a de novo, mais lento dessa vez. Ela respondeu na mesma medida, envolvendo meu pescoço com os braços, o corpo se moldando ao meu. Era impossível pensar em qualquer outra coisa que não fosse ela: o gosto da sua boca, o calor da sua pele, o jeito como seus dedos passeavam pela minha nuca.

A sensação de perda que me esperava depois de hoje, parecia distante. Havia apenas o agora. E o agora era ela, inteira, me oferecendo mais uma lembrança antes que a distância dos próximos meses se instalasse entre nós.

Quando ela se afastou, sua mão deslizou para entrelaçar os dedos nos meus.

— Vamos? — disse, com um pequeno sorriso.

Eu assenti, sem conseguir articular nenhuma palavra. O nó na garganta era grande demais.

Ela me conduziu em direção ao banheiro, com os dedos ainda presos aos meus. E eu jurei a mim mesmo que faria cada instante daquela noite valer a pena.

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