DAMIAN WINTER
Ela disse aquilo com tanta calma que, por um instante, eu pensei ter entendido errado.
— O quê? — perguntei, endireitando a postura. — O que quer dizer com “dar um tempo”, Stella?
Ela desviou o olhar, respirando fundo antes de me encarar de novo.
— A Elaine acha que… talvez seja melhor esperarmos até o divórcio estar resolvido. Para evitar problemas com a Sophie, a guarda do Danian, a imprensa… — a voz dela fraquejou um pouco. — Talvez seja mesmo o mais sensato.
Uma tensão quente subiu pelo meu pescoço. Meu coração começou a bater mais rápido, de pura recusa.
— Você disse a ela que não vai fazer isso, certo? — perguntei, tentando não parecer ansioso pela resposta.
Ela hesitou.
— Eu… não sei, Damian. Talvez a sua mãe esteja certa. Esperar alguns meses pode evitar muitas dores de cabeça.
Não. De jeito nenhum.
Cruzei o espaço entre nós em dois passos. Segurei o rosto dela entre as mãos, obrigando-a a me olhar.
— Stella, olha pra mim. Eu não vou aguentar tantos meses longe de você. Não vou.
Ela piscou, surpresa com a intensidade que eu mesmo sentia escapar.
— Você aguentou seis anos, Damian — retrucou, com um fio de firmeza. — Alguns meses não vão nos matar.
Inclinei o rosto, aproximando-me ainda mais, sem soltar o queixo delicado entre os dedos.
— Podem me matar, sim. — respondi sem hesitar. — Você não entende… sem os seus beijos, suas carícias, seu corpo quente no meu, o seu sorriso, a sua voz, o seu olhar, o seu cheiro, a sua risada, a maneira como você anda, como mexe no cabelo, como fala meu nome… — a lista saía quase sem controle, cada palavra mais verdadeira do que a anterior. — Sem tudo isso, Stella, será sufocante, como se me faltasse oxigênio.
Ela levantou a mão devagar, pousando-a sobre meu rosto. O toque suave acalmou a urgência que eu sentia. Seus dedos deslizaram até minha nuca, e por um instante eu só consegui fechar os olhos, apreciando aquele carinho repentino.
— Eu te amo, Damian. — disse, de repente, me arrancando um sorriso. — Também vai ser sufocante para mim. Você acha que é fácil? Não é. Mas… é o jeito certo de resolver as coisas.
Eu abri os olhos, procurando qualquer vacilo no olhar dela, qualquer abertura que me permitisse contestar. Mas o que vi foi determinação misturada ao carinho. Ela estava mesmo disposta a ir em frente com isso?
— A gente ainda pode… — ela respirou fundo, como se tentasse segurar as lágrimas. — Podemos marcar lugares para você encontrar os meninos. Ou você pode levá-los para sua casa às vezes. — Meu aperto em seu rosto afrouxou quando ela se desvencilhou delicadamente, afastando minhas mãos. O vazio imediato me fez estremecer. — Mas… — continuou, erguendo o queixo com uma coragem que me irritava e, ao mesmo tempo, me fazia admirá-la. — Essa será a última noite que a gente dorme junto até o seu divórcio sair.
Eu dei um passo à frente, incapaz de aceitar.


VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!