RUBI MONTENEGRO
Encarar Camila daquele jeito... destruída, desesperada e, ainda assim, exigindo coisas de mim com a sua velha arrogância disfarçada, foi uma experiência libertadora e asquerosa ao mesmo tempo. A tristeza que senti não era por ela, mas pela constatação definitiva do tipo de monstros com os quais eu havia crescido.
— Você tem muita cara de pau, Camila. — Ela parou de soluçar por um segundo, os olhos arregalados, chocada por eu não ter corrido para abrir os portões e consolá-la. — Depois de tudo o que você e os nossos pais me fizeram a vida inteira... — continuei, dando um passo à frente. — As humilhações constantes, os abusos psicológicos, a forma como me venderam em um contrato para pagar as dívidas de vocês. E agora você vem até a minha casa exigir que eu te dê dinheiro e um teto?
— Rubi, nós temos o mesmo sangue! — ela gritou, apertando as grades.
— O sangue não significa absolutamente nada quando parentes só te fazem mal. — cortei, sem alterar o meu tom de voz. — A ruína de vocês não é culpa minha, e muito menos do Ares. É a consequência direta da própria ganância e corrupção de vocês. Vocês cavaram a própria cova. Se não houvesse provas irrefutáveis do que adiantaria meu marido se vingar dessa forma?
— Você é um monstro! Eu não tenho para onde ir!
— E eu não sinto pena de você — declarei. E era a mais pura verdade. O peso gigantesco, que eu carreguei por mais de vinte anos, desapareceu dos meus ombros faz muito tempo. — A família Montenegro morreu para mim. Eu não tenho pais e também não tenho irmã.
— Você realmente é tão feia por dentro quanto por fora! — Olha só quem vem falar de feiura interior...
— É melhor você ir embora agora e procurar o seu próprio caminho — avisei, dando o ultimato. — Porque se você não der meia-volta, o meu marido vai soltar os cães em cima de você. E eu não vou impedi-lo.
Embora eu nunca tenha visto cães nessa propriedade, Ares disse "literalmente", então deve ter cães em algum lugar, certo?
Sem esperar por uma resposta, virei as costas. Ares não disse uma única palavra, mas um sorriso orgulhoso repuxava o canto dos lábios dele. Ele entrelaçou os nossos dedos, a sua mão grande e quente me passou toda a segurança que eu precisava.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Senhor CEO, sua esposa gorda virou uma DEUSA!