ARES BECKETT
Assim que Valentina entrou no carro e fechou a porta, eu me juntei ao fluxo do trânsito de Nova York. Estava sendo um domingo atarefado, mas tudo estava correndo conforme o meu cronograma meticuloso. Pelo menos, até a amiga da minha esposa começar a olhar histericamente para o retrovisor lateral.
— Ares... — Valentina chamou, a voz esganiçada e assustada. — Tem um táxi amarelo seguindo a gente desde que saímos da rua do meu prédio. Ele não descola.
Olhei pelo retrovisor interno. Lá estava ele, mantendo uma distância cautelosa, mas óbvia.
Dei um sorriso de canto, sentindo um pouco de diversão e orgulho. Eu conhecia a mulher que tinha em casa. Mais cedo, quando Rubi disse que precisava sair para ver coisas da campanha em pleno domingo, eu soube na hora que ela estava mentindo. Ela não sabia disfarçar. O ciúme e a desconfiança da minha esposa eram adoráveis, mas eu precisava tirá-la da nossa cola hoje.
Pisei no acelerador assim que o semáforo à frente ficou amarelo. O meu motor potente roncou e o carro cruzou a avenida em um piscar de olhos, virando a esquina bruscamente e sumindo do campo de visão do cruzamento. Olhei pelo retrovisor mais uma vez. O semáforo havia ficado vermelho. O táxi ficou preso para trás.
Dei uma risada baixa, imaginando a cara de frustração de Rubi.
— Você acha isso engraçado?! — Valentina virou no banco do passageiro. — Ares, isso não tem graça nenhuma! Não dá mais para esconder. Ela já está no limite da desconfiança! Do jeito que as coisas estão indo, ela é capaz de achar que nós dois somos amantes!
Soltei uma gargalhada alta e genuína. A ideia soava como a coisa mais absurda e hilária do mundo.
— Como ela suspeitaria disso se você é lésbica, Valentina? — perguntei, ainda rindo da histeria e ideia inconcebível dela.
Valentina me olhou como se eu fosse o maior idiota que já pisou na face da Terra. Ela abriu a boca, fechou, revirou os olhos com força, e soltou um suspiro longo e dramático, cruzando os braços.
— Você é brilhante nos negócios, Ares Beckett, mas não entende absolutamente nada de mulheres. Zero! — ela resmungou.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Senhor CEO, sua esposa gorda virou uma DEUSA!