RUBI MONTENEGRO
O domingo chegou e a minha ansiedade já estava no limite. Eu mal havia pregado o olho durante a noite, repassando cada atitude estranha do meu marido.
Eu estava sentada na beirada da cama quando Ares saiu do closet, vestindo um sobretudo escuro.
— Para onde você vai vestido assim em um domingo de manhã? — perguntei, tentando manter a voz casual, apesar do meu estômago estar embrulhado.
— Preciso ir ao escritório resolver um problema urgente, querida. — Ele respondeu, ajeitando a gola do casaco. Ele sequer olhou diretamente nos meus olhos.
Mentira. Ele está sempre mentindo para mim, então hoje vou descobrir o que ele está escondendo.
— Que coincidência — menti, me levantando e pegando minha bolsa na poltrona. — Eu também preciso sair. Vou ver umas coisas da campanha de outono com a equipe para não ter nenhum erro na terça-feira.
Ares não questionou. O bilionário superprotetor, que não me deixava respirar sozinha um mês atrás, apenas me deu um beijo rápido na testa, disse que nos veríamos no jantar e desceu as escadas para tomar o café da manhã.
Saí de casa antes dele. Mas, em vez de ir para a Bane, caminhei apressada até a esquina da rua e fiz sinal para o primeiro táxi que vi passando.
— Entre na rua daquela mansão e pare um pouco antes dos portões, por favor. Fique com o motor ligado — pedi ao motorista assim que bati a porta.
Ele me olhou pelo retrovisor, curioso, mas obedeceu.
Esperei por agonizantes dez minutos, escondida no banco de trás, espiando pela janela. Finalmente, os grandes portões se abriram e o elegante carro preto de Ares deslizou para fora.
— Siga aquele carro — ordenei ao taxista, sentindo o meu coração bater na garganta. — Mas não fique muito perto. Ele não pode nos notar de jeito nenhum.
O táxi seguiu o carro de Ares pelas movimentadas ruas. A cada quarteirão que nos afastávamos do caminho para o prédio da Beckett Industries, a minha esperança diminuía um pouco mais. Ele realmente não estava indo trabalhar.
— Siga-os! — pedi com a voz embargada, limpando uma lágrima furiosa que escorreu pela minha bochecha.
O taxista acelerou, tentando acompanhar o carro deles. Nós os seguimos por algumas avenidas, mas o trânsito de domingo estava cheio de turistas. O carro de Ares acelerou quando um semáforo ficou amarelo. O nosso táxi não teve a mesma sorte e o motorista precisou frear bruscamente quando a luz vermelha acendeu, nos deixando presos no cruzamento.
Bati a mão no banco de couro, totalmente frustrada. Observei o carro do meu marido desaparecer virando a esquina, levando a minha melhor amiga com ele. Eu os tinha perdido.
— Para onde agora, senhora? — o motorista perguntou, compreensivo e visivelmente com pena de mim.
Fechei os olhos, deixando as lágrimas de raiva e decepção caírem livremente. A dor da traição rasgava o meu peito de um jeito que eu não sentia desde o dia em que fui abandonada pelos meus pais e vendida para o Ares. Mas isso era infinitamente pior. Ares e Tina me enganaram debaixo do meu próprio nariz.
— Para casa — sussurrei, com a voz fraca e derrotada. — Me leve de volta para casa.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Senhor CEO, sua esposa gorda virou uma DEUSA!