ARES BECKETT
Tudo aconteceu em uma fração de segundo.
Enquanto eu guiava Rubi de volta para a segurança da nossa casa, os gritos e as perguntas dos repórteres se atropelavam. Mas um grito específico se destacou dos outros.
— Isso é culpa sua, Rubi!
Girei a cabeça rapidamente por cima do ombro. No meio da multidão de fotógrafos e jornalistas, um rosto familiar e distorcido pelo ódio rompeu a barreira de segurança.
Era Camila.
O brilho prateado do metal na mão dela capturou a luz dos flashes das câmeras. Uma faca longa e afiada. E ela estava avançando como uma louca, mirando diretamente nas costas da minha esposa.
Não havia tempo para desarmá-la ou empurrá-la. Havia apenas tempo para proteger a única coisa que realmente importava para mim no universo inteiro.
Puxei Rubi pelo braço, a abracei com toda a minha força e girei os nossos corpos em um movimento brusco, usando as minhas costas como um escudo ao redor dela.
A dor foi instantânea e devastadora.
Senti a lâmina afiada perfurar a minha carne rasgando a minha camisa. Um calor terrível e uma queimação agonizante se espalharam pelo meu torso, como se fogo puro tivesse sido injetado nas minhas veias.
A minha visão piscou em tons de cinza. O meu aperto ao redor da cintura de Rubi afrouxou contra a minha vontade. O meu corpo, de repente se tornou pesado. Meus joelhos cederam e eu desabei, arrastando-me para o chão e caindo nos braços da mulher que eu amava.
— Ares? O que foi amor? — a voz dela soou abafada, distante. — Ares?!
O chão frio encontrou as minhas pernas. Senti as mãos delicadas dela escorregarem pelas minhas costas e o horror tomar conta do rosto perfeito da minha rainha ao sentir o meu sangue.
— Aguenta firme, meu amor... Vamos para o hospital, ok? Espera um pouquinho. — As lágrimas dela começaram a cair, grossas e desesperadas, pingando no meu rosto.
A dor estava me consumindo, puxando-me com força para um abismo escuro. Eu lutei contra ela com tudo o que me restava. Eu queria erguer a mão e limpar aquelas lágrimas do rosto de Rubi. Queria abrir a boca e pedir: "Não chore, minha vida. Eu te amo". Queria garantir que eu ficaria bem e que jamais a deixaria sozinha.
Mas a minha voz simplesmente não saiu. O frio tomou conta dos meus membros, e a escuridão espessa engoliu a luz dos flashes, o som dos gritos dos seguranças e o rosto da minha esposa.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Senhor CEO, sua esposa gorda virou uma DEUSA!