RUBI MONTENEGRO
O asfalto frio sob os meus joelhos arranhava a minha pele, mas a única coisa que eu conseguia sentir era o medo me sufocando. O sangue quente de Ares escorria por entre os meus dedos, manchando as minhas mãos, espalhando-se pela calçada em uma poça escura e aterrorizante.
— Ares, olha pra mim! Fica comigo, por favor! — eu gritava apesar de ele já ter desmaiado, as lágrimas embaçaram minha visão enquanto eu pressionava a ferida nas costas dele com todas as minhas forças.
Ele estava terrivelmente pálido. Os olhos escuros que sempre me olhavam com tanta intensidade agora estavam fechados, e a respiração dele era muito superficial.
Os flashes das câmeras dos jornalistas continuavam piscando, iluminando o nosso desespero como se fôssemos apenas um espetáculo grotesco. E, acima de todo aquele barulho, estava a voz histérica da minha irmã.
— Me soltem! — Camila berrava, debatendo-se contra os dois seguranças enormes que a prensavam contra o chão. A faca ensanguentada estava jogada a poucos metros de distância. — Se eu não vou ser feliz, você também não pode ser, Rubi! Você não merece esse conto de fadas!
Eu não olhei para ela. A minha irmã, o sangue do meu sangue, havia acabado de tentar me matar e atingiu o homem que eu amava.
As sirenes finalmente se fizeram presentes. Carros de polícia frearam bruscamente, e os policiais arrastaram Camila para longe, algemada e ainda gritando xingamentos. Logo atrás deles, a ambulância chegou.
Os paramédicos desceram correndo. Eles me afastaram, assumindo o controle da situação. Colocaram uma máscara de oxigênio no rosto de Ares, estancaram o sangramento e o ergueram para a maca.
Me deixaram subir na parte de trás da ambulância.
O trajeto pareceu durar uma eternidade. Os monitores apitavam em um ritmo frenético e assustador. Sentei em um pequeno banco de metal, segurando a mão grande dele entre as minhas. Estava tão fria.
— Não me deixa, Ares... — implorei, encostando a testa na mão inerte dele. — Nós nos casamos de verdade, lembra? Você não pode me deixar sozinha agora que finalmente encontramos a nossa felicidade...
Assim que a ambulância freou na entrada da emergência do hospital, uma equipe médica já estava nos esperando. Segurei a mão do meu marido, até que chegamos a um par de portas duplas com a placa: Centro Cirúrgico.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Senhor CEO, sua esposa gorda virou uma DEUSA!