ARES BECKETT
O sol aquecia o meu rosto com uma suavidade que eu nunca havia sentido antes na vida. Sentado na grama verde e perfeitamente aparada de um campo infinito, eu observava o menino de cabelos escuros e a garotinha de olhos castanhos e brilhantes correrem atrás de uma borboleta. O riso deles era a segunda melodia mais doce que já tocou os meus ouvidos. A segunda, claro, era a voz da minha esposa.
Um pouco mais à frente, sob a sombra de uma árvore imensa, Rubi estava sentada em uma toalha de piquenique. Ela usava um vestido branco esvoaçante que brincava com a brisa morna. Ela sorriu para mim.
Eu me levantei e caminhei até ela, sentindo a grama macia sob os meus pés descalços. Sentei ao seu lado e ela encostou a cabeça no meu ombro. Suspirei, fechando os olhos e absorvendo aquela tranquilidade. Eu poderia ficar ali pela eternidade. Parecia tão certo.
Mas, de repente, o vento soprou de forma diferente.
A brisa não trouxe o cheiro doce das flores silvestres, mas sim um som abafado, distante e lamentável. Era uma voz. Uma voz falha, embargada pelo choro, cheia de uma dor tão profunda, mas tão profunda, que fez a minha alma inteira tremer.
— Volta pra mim...
Franzi a testa dela e me levantei devagar, olhando ao redor, procurando desesperadamente a origem daquele som.
— O que foi, meu amor? — Rubi perguntou, a voz doce e melodiosa, sem alterar a sua expressão calma. Ela continuava sorrindo, como se nada estivesse acontecendo ao nosso redor.
— Você não ouviu isso? — perguntei, sentindo um aperto frio e estranho substituir a paz no meu peito.
— Por favor, Ares... — A voz implorou de novo, mais alta, rasgando a tranquilidade do campo ensolarado.
Olhei para cima. Uma fresta de escuridão apareceu por entre a luz dourada do meu paraíso.
Foi então que a memória me atingiu, destruindo toda a ilusão em um piscar de olhos.
A dor excruciante de uma lâmina afiada rasgando a minha carne e perfurando as minhas costas. O meu próprio sangue quente escorrendo pelas mãos da mulher que eu amava. As lágrimas de terror manchando o rosto dela enquanto ela me segurava e implorava para eu não a deixar.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Senhor CEO, sua esposa gorda virou uma DEUSA!