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Senhor CEO, sua esposa gorda virou uma DEUSA! romance Capítulo 130

ARES BECKETT

O sol aquecia o meu rosto com uma suavidade que eu nunca havia sentido antes na vida. Sentado na grama verde e perfeitamente aparada de um campo infinito, eu observava o menino de cabelos escuros e a garotinha de olhos castanhos e brilhantes correrem atrás de uma borboleta. O riso deles era a segunda melodia mais doce que já tocou os meus ouvidos. A segunda, claro, era a voz da minha esposa.

Um pouco mais à frente, sob a sombra de uma árvore imensa, Rubi estava sentada em uma toalha de piquenique. Ela usava um vestido branco esvoaçante que brincava com a brisa morna. Ela sorriu para mim.

Eu me levantei e caminhei até ela, sentindo a grama macia sob os meus pés descalços. Sentei ao seu lado e ela encostou a cabeça no meu ombro. Suspirei, fechando os olhos e absorvendo aquela tranquilidade. Eu poderia ficar ali pela eternidade. Parecia tão certo.

Mas, de repente, o vento soprou de forma diferente.

A brisa não trouxe o cheiro doce das flores silvestres, mas sim um som abafado, distante e lamentável. Era uma voz. Uma voz falha, embargada pelo choro, cheia de uma dor tão profunda, mas tão profunda, que fez a minha alma inteira tremer.

— Volta pra mim...

Franzi a testa dela e me levantei devagar, olhando ao redor, procurando desesperadamente a origem daquele som.

— O que foi, meu amor? — Rubi perguntou, a voz doce e melodiosa, sem alterar a sua expressão calma. Ela continuava sorrindo, como se nada estivesse acontecendo ao nosso redor.

— Você não ouviu isso? — perguntei, sentindo um aperto frio e estranho substituir a paz no meu peito.

— Por favor, Ares... — A voz implorou de novo, mais alta, rasgando a tranquilidade do campo ensolarado.

Olhei para cima. Uma fresta de escuridão apareceu por entre a luz dourada do meu paraíso.

Foi então que a memória me atingiu, destruindo toda a ilusão em um piscar de olhos.

A dor excruciante de uma lâmina afiada rasgando a minha carne e perfurando as minhas costas. O meu próprio sangue quente escorrendo pelas mãos da mulher que eu amava. As lágrimas de terror manchando o rosto dela enquanto ela me segurava e implorava para eu não a deixar.

A luz dourada do campo começou a piscar, enfraquecendo à medida que as rachaduras no céu se multiplicavam e se abriam em fendas gigantescas, revelando um abismo negro.

Dei um passo na direção da escuridão, afastando-me do calor reconfortante da luz. Tomei a minha decisão sem pensar duas vezes. Eu trocaria mil anos de paz naquele paraíso perfeito por um único segundo de dor agonizante no mundo real, desde que esse segundo fosse ao lado da minha verdadeira rainha.

Fechei os olhos, respirei fundo uma última vez o ar sem dor daquele sonho, e pulei nas rachaduras escuras.

No instante seguinte, a paz desapareceu.

Uma queimação terrível e uma dor física indescritível tomaram conta de cada célula do meu corpo. Era como se o meu peito estivesse sendo esmagado por um bloco de concreto. O ar faltou, os meus pulmões arderam como brasas e um som rítmico, alto e irritante de máquinas invadiu os meus ouvidos de forma violenta.

Mas, no meio de todo aquele tormento, eu senti algo confortável. Um toque sutil, quente e desesperado apertando a minha mão dormente. A mão da minha esposa. E eu lutei com tudo o que eu tinha, apenas para conseguir abrir os meus olhos e voltar para ela.

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